Zhuhai avança com plano de desenvolvimento tecnológico em colaboração com Macau
Pequim, 09 jan 2020 (Lusa) - O governo de Zhuhai, cidade do continente chinês que faz fronteira com Macau, anunciou hoje um plano para promover o desenvolvimento tecnológico, como parte da criação de uma grande metrópole no Delta do Rio das Pérolas.
Segundo um comunicado das autoridades de Zhuhai, as novas diretrizes visam traçar um "roteiro" para a cidade se integrar no projeto apadrinhado pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a Área da Grande Baía - uma metrópole e centro de inovação científica e tecnológica competitivo globalmente, construído a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades da província de Guangdong.
A mesma nota detalhou que o plano de atualização tecnológica de Zhuhai será realizado em conjunto com Macau e Hong Kong.
"Zhuhai promoverá ativamente a cooperação em inovação entre Zhuhai, Hong Kong e Macau, construirá uma plataforma internacional de cooperação e intercâmbio científico e tecnológico, e promoverá a inovação colaborativa na produção, ensino e pesquisa", indicou.
Devido à herança portuguesa e britânica, respetivamente, Macau e Hong Kong têm as suas próprias leis básicas e gozam de um alto grau de autonomia, incluindo ao nível dos poderes executivo, legislativo e judicial.
Uma das áreas chave neste plano é a Zona Piloto de Comércio Livre da localidade de Hengqin [Ilha da Montanha], que pertence à cidade de Zhuhai, e está já ligada ao território outrora administrado por Portugal, e hoje uma região semiautónoma chinesa e capital mundial do jogo, por um posto fronteiriço aberto 24 horas por dia e um túnel de acesso ao novo 'campus' da Universidade de Macau, cujo terreno foi arrendado por Zhuhai à região.
"Devido à sua localização única, o Governo central atribui grande importância a Hengqin", descreveu à agência Lusa, em novembro passado, o diretor do comité administrativo local, Yang Chuan, num ostentoso 'hall' de exposições, dedicado ao desenvolvimento da localidade, e equipado com painéis LED e ecrãs interativos.
"A nossa aposta não é a manufatura: queremos atrair indústrias de alta tecnologia, finanças, biofarmacêutica ou saúde", realçou Yang. "Os nossos maiores atrativos são o acesso ao enorme mercado da China [continental] e os canais e janelas de comunicação internacionais convenientes e únicos devido à proximidade a Macau e Hong Kong", disse.
Segundo o plano hoje anunciado, até 2025, Zhuhai quer estar "bem integrada" nos avanços tecnológicos da região, oferecendo incentivos a qualquer empresa com planos para modernização e desenvolvimento de novas tecnologias.
O plano estipula 20 políticas e medidas especificas, incluindo a disponibilização de fundos para apoiar as empresas locais: os principais projetos receberão subsídios até cinco milhões de yuan (650 mil euros) cada, por exemplo.
As despesas da cidade com pesquisa e desenvolvimento estão já fixadas em 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) local, enquanto o valor da produção no setor da alta tecnologia compõe 60% da produção industrial total.
No entanto, Zhuhai espera elevar a qualidade do setor: até 2025, o número de patentes produzidas por cada 10.000 habitantes deve fixar-se em 75 - em comparação, no principal 'hub' tecnológico da província, a cidade de Shenzhen, aquele rácio fixou-se nas 80 patentes, em 2017.
Até 2035, data em que a Grande Baía deve estar concluída, convertendo-se numa área de excelência a nível internacional, Zhuhai espera integrar o "dinâmico sistema de inovação regional", atingir um "alto grau de internacionalização da inovação", contar com "várias instituições de pesquisa científica de classe mundial e plataformas de inovação e empresas inovadoras, e produzir vários resultados com influência global".
Guangdong é a província chinesa que mais exporta e a primeira a beneficiar das reformas económicas adotadas pelo país no final dos anos 1970, integrando três das seis Zonas Económicas Especiais da China - Shenzhen, Shantou e Zhuhai.
O PIB da área que compõe a Grande Baía, cuja população é de cerca de 70 milhões de habitantes, aproxima-se dos 1,5 biliões de dólares (1,2 biliões de euros) - maior que as economias da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.
Pequim pretende transformar o modelo de crescimento da região, reforçando o consumo doméstico e serviços em detrimento das exportações e manufatura.
"O Governo quer usar a Área da Grande Baía para encurtar a lacuna [tecnológica] que a China tem com os Estados Unidos, Japão e outros países desenvolvidos", disse à agência Lusa Edmond Wu, professor de Economia na South China University of Technology, em Cantão, a capital de Guangdong.
"Existe nesta região uma cultura de inovação", explicou.
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