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Xi Jinping defendeu multilateralismo em Portugal

Foto de Xi Jinping em Portugal



Pedro Morais Fonseca



O Presidente da China prometeu em dezembro em Lisboa o reforço dos projetos existentes com Portugal e defendeu o multilateralismo, o livre comércio e a paz, numa declaração conjunta com o primeiro-ministro António Costa.


"O funcionamento bilateral encontra-se no seu melhor momento histórico. Em 2019, quando se celebram 40 anos das relações bilaterais, vamos aprofundar a amizade e cooperação e levar a nossa parceria estratégica global para um novo patamar", assinalou Xi Jinping no Palácio de Queluz, onde foi recebido pelo primeiro-ministro português, membros do Governo, empresários e académicos.


Na sua declaração, com tradução simultânea para português, o Presidente chinês, que conclui hoje a sua visita oficial de dois dias a Portugal, voltou a enfatizar o reforço das relações bilaterais, que se encontram "no seu melhor momento histórico".


"As duas partes vão empenhar-se na promoção e aprofundamento da parceria estratégica global entre a China e a Europa, reforçar o apoio à cooperação nas organizações internacionais, como a ONU, salvaguardar conjuntamente o multilateralismo, o livre comércio, promover a paz, desenvolvimento, estabilidade e prosperidade mundiais", assinalou na sua declaração.


Para 2019, quando se celebram 40 anos das relações bilaterais, Xi Jinping prometeu um aprofundamento da amizade e cooperação.


Prometeu também elevar a "parceria estratégica global para um novo patamar", em particular no âmbito da Faixa Económica da "Rota da Seda" e da iniciativa relativa à "Rota da Seda Marítima" do século XXI, um dos instrumentos bilaterais que foi assinado pelas duas partes.


"Vamos criar mais sinergias, reforçar a construção de 'Uma Faixa, Uma Rota', implementar bem os projetos existentes, aperfeiçoar os mecanismos de cooperação, e explorar juntos os mercados terceiros", assegurou, após prometer manter "a tendência das visitas de alto nível, reforçar intercâmbios entre os dois governos, assembleias, partidos políticos, contactos a nível local entre os povos e elevar incessantemente o nível de confiança mútua", referiu o líder chinês.


Economia, comércio, educação, turismo, ciência e tecnologia, desporto, media, foram algumas das áreas apontadas para este processo de cooperação reforçada, e expresso nos 17 memorandos, acordos e protocolos previamente assinados.


Xi Jinping recordou que Portugal foi a sua última paragem no seu périplo pela Europa, Caribe e América Latina, onde participou na cimeira do G20 que decorreu em Buenos Aires, a capital da Argentina.


"Senti as aspirações, expectativas, dos povos de todos os países, pela paz, estabilidade, desenvolvimento, prosperidade, por uma vida melhor", assegurou.


"Apesar de o mundo atual enfrentar diversos problemas e desafios, a China vai aderir sempre ao princípio do respeito mútuo, consultas em pé de igualdade, e persistir no desenvolvimento pacífico e cooperação".


Ao concluir a sua intervenção, muito aplaudida pelas duas delegações presentes, prometeu ainda uma "conjugação de esforços com Portugal e outros países para promover a concretização da paz e estabilidade, desenvolvimento comum, por uma paz duradoura no mundo".



Pontos de convergência realçados



No discurso perante o Presidente português, Xi Jinping voltou a destacar os "pontos de convergência e interesses comuns" entre Portugal e a China, no discurso do jantar oficial oferecido pelo seu homólogo português e que decorreu no palácio da Ajuda.


"Os pontos de convergência e os interesses comuns no aprofundamento das relações bilaterais estão a aumentar constantemente, e a amplitude e a profundidade da nossa cooperação são inéditas", sublinhou na intervenção, ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa.


No início do discurso, uma versão escrita a que a Lusa teve acesso, e após os agradecimentos formais, o líder chinês destacou a "história e civilização longa" a "herança cultural rica" de Portugal, e definiu o povo português como "trabalhador, sábio, aberto e inclusivo" com espírito empreendedor e pioneiro", contribuindo "para o progresso da humanidade e ao intercâmbio entre as culturas orientais e ocidentais".


Xi Jinping recordou a chegada dos portugueses à China, recordou Tomás Pereira "que introduziu na China estudos e conhecimentos ocidentais", José de Espinha, que "ocupou o cargo de diretor do departamento de astronímia durante a dinastia Qing" ou a introdução na Europa, pelos portugueses, da "porcelana com heráldica".


O líder chinês assinalou ainda a importância do estabelecimento das relações diplomáticas bilaterais em 1979, a forma como os dois países, em 1999, "resolveram de forma apropriada a questão de Macau através de consultas amigáveis", ou o estabelecimento pelos dois países em 2005 da Parceria Estratégica Global.


No seu discurso, o chefe de Estado chinês congratulou-se com o "enriquecimento do conteúdo estratégico das relações sino-portuguesas", existência de uma "confiança política mútua" e uma "cooperação pragmática" em vários domínios.


Xi Jinping, após citar um provérbio chinês e fazer referência às "mil e uma maneiras de cozinhar bacalhau" em Portugal, enfatizou a "capacidade de aceitar e aprender tudo que é bom e inovar com base nisso" e que "está nos genes das culturas chinesa e portuguesa", uma "força motriz originar que os chineses e portugueses dispõe para criar um futuro brilhante".


Ao recordar os 40 anos de relações diplomáticas que se celebram em 2019, o Presidente da China desejou "um bom uso dessa oportunidade" pelo "reforço da confiança política mútua", uma "maior sinergia entre as estratégias de desenvolvimento na perspetiva do projeto "Uma Faixa e Uma Rota" e que perspetive uma "nova jornada de desenvolvimento" na Parceria estratégica bilateral.


O discurso terminou com um brinde "à prosperidade da República Portuguesa", à "amizade entre os povos de Portugal e China", à "saúde" do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e à de "todos os amigos presentes".