Visita de Xi Jinping a Lisboa elogiada por Marcelo
04 dez 2018 - LusaVídeo: Portugal/China: Marcelo defende trabalho conjunto pelo multilateralismo e direitos humanos (editado)
Inês Escobar Lima
O Presidente português fez um balanço "muito positivo" da visita a Portugal do chefe de Estado chinês em dezembro e, questionado se não se falou pouco de direitos humanos, defendeu que disse "aquilo que devia ser dito".
Marcelo Rebelo de Sousa foi também interrogado sobre a ideia de que há uma presença chinesa excessiva na economia portuguesa e, na resposta, fez alusão às privatizações feitas na legislatura anterior.
"Perante uma decisão que, aliás, não é do meu mandato, é do mandato do meu antecessor e é do Governo anterior, acho que as relações que têm existido nos domínios de cooperação económica e financeira têm sido úteis para Portugal e importantes para Portugal, quer internamente, quer na projeção no mundo", considerou.
Quanto à visita de Estado de Xi Jinping, o Presidente português afirmou: "Penso que o saldo global é muito positivo, porque se falou com franqueza, porque foram muitos os acordos que foram celebrados e porque há neste mundo multipolar uma colaboração que pode e deve haver".
Em seguida, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que Portugal tem "aliados", uns mais antigos e outros menos, e depois tem "amigos que não são aliados, mas podem ser parceiros", como a China.
"Nós sabemos distinguir entre aliados e amigos parceiros e sabemos colaborar com uns e com outros", acrescentou.
Questionado se não se falou pouco de direitos humanos durante esta visita, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "No que me toca, eu disse aquilo que achei que era importante dizer".
O chefe de Estado lembrou que, quer nas declarações conjuntas com o Presidente da China, no Palácio de Belém, quer no jantar oficial no Palácio Nacional da Ajuda, falou dos "pontos de convergência" entre os dois países no quadro internacional, dizendo que "devem passar pelo multilateralismo, pela paz, pela segurança".
"Pelo respeito do direito internacional, pelo respeito dos direitos humanos, pelo respeito do Estado de direito e pela afirmação da vivência democrática", completou Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo: "Portanto, disse aquilo que devia ser dito",
Segundo o Presidente da República, Portugal tem na China "um amigo e parceiro para o futuro".
"O que não impede de termos aliados, como é o caso dos nossos aliados na União Europeia, dos nossos aliados na Aliança Atlântica e dos nossos aliados na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. São dois planos que se podem conjugar, são diferentes", frisou.
Portugal é ponto da Rota da Seda
O Presidente português anunciou também a assinatura de um memorando de entendimento bilateral sobre a iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas "Uma Faixa, Uma Rota" e uma visita à China no próximo ano, também nesse quadro.
Marcelo Rebelo de Sousa falava no Palácio de Belém, após um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, que adiantou depois que o chefe de Estado português irá estar presente na segunda edição do fórum "Uma Faixa, Uma Rota" e fará uma visita de Estado à China, em abril.
O Presidente português considerou que a sua deslocação à China em 2019, "correspondendo a convite acabado de formular" por Xi Jinping, e "a assinatura de um memorando de entendimento" sobre a iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota" simbolizam a parceria entre os dois Estados.
"Simbolizam bem a parceria que desejamos continuar a construir, com diálogo político regular e contínuo, a pensar no muito que nos une", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações conjuntas com o Presidente chinês aos jornalistas, sem direito a perguntas.
Sobre a cooperação económica e financeira entre a China e Portugal, o chefe de Estado português descreveu-a como "forte", acrescentando: "E queremos que seja sustentável e duradoura no futuro".
No seu entender, também "pode e deve avançar" a cooperação luso-chinesa "na comunidade que fala português, até porque a língua portuguesa é uma das mais faladas no globo e porventura a liderante no hemisfério sul".
Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa saudou a "cooperação cultural, universitária, científica, tecnológica", dizendo que "cresce de dia para dia".
O Presidente português considerou que esta visita de Estado de Xi Jinping a Portugal "pode fazer história" e referiu que acontece "quase 40 anos depois" do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países.
Marcelo Rebelo de Sousa recebeu Xi Jinping e a sua mulher, Peng Liyuan, à entrada do Palácio de Belém pelas 16:05, após uma cerimónia de boas-vindas na Praça do Império, em Lisboa.
Os três subiram para a Sala das Bicas, onde posaram para a fotografia oficial e Xi Jinping assinou o livro de honra, escrevendo apenas o seu nome e a data de hoje.
Seguiu-se um encontro a três, depois alargado às delegações portuguesa e chinesa.