Timor-Leste: Cordão humano junta 1.500 pessoas em Macau
Arquivo Lusa 1999
Macau, 24 Set (Lusa) - Cerca de 1.500 pessoas deram hoje as mãos na ponte Nobre de Carvalho, em Macau, em solidariedade para com o povo de Timor-Leste.
Entre as 18:00 e as 20:00, portugueses, chineses, timorenses, macaenses e filipinos foram dando as mãos ao longo dos cerca de 2.600 metros da ponte, tentando simbolizar a ligação de Macau a Timor-Leste e levando uma "mensagem de solidariedade para um povo irmão que sofre há 24 anos".
Entre funcionários da Administração, de empresas privadas e membros de associações de caridade, participaram no cordão humano na ponte figuras conhecidas como o constitucionalista Vital Moreira, o coordenador do Gabinete Instalador do Consulado geral de Portugal em Macau, Carlos Frota, a presidente da Assembleia Legislativa, Anabela Ritchie, a mulher do Governador de Macau, Leonor Rocha Vieira, e o arquitecto Manuel Vicente.
Entre os membros da comunidade timorense, o administrador do concelho de Baucau destacava-se entre os restantes porque mal chegou a Macau foi conduzido directamente à ponte Nobre de Carvalho.
"Saí no dia 08 de Baucau depois de os militares terem tomado o poder civil e desde então tenho estado refugiado na ilha de Java. Só consegui sair hoje por causa dos passaportes dos meus filhos e como conheço pessoas em Macau vim para cá", afirmou, ao salientar que pretende agora acompanhar a situação em Timor-Leste e "regressar com a mulher e os cinco filhos logo que possível".
Antes de abandonarem a ponte, os participantes no cordão humano ataram à grade de protecção da estrutura os lenços brancos que muitos trouxeram de casa e outros pediram à organização.
Nos primeiros quinze minutos da marcha, o governador Rocha Vieira mandou colocar a bandeira do Palácio da Praia Grande, sede do governo, a meia-haste como "sinal de pesar pela perdas de vidas humanas" que ao longo de 24 anos se tem verificado em Timor-Leste, disse à agência Lusa um assessor de Rocha Vieira.
A mesma fonte referiu ainda que o momento de voltar a hastear a bandeira no cimo do mastro quis transmitir "uma mensagem de esperança de que a paz voltará a Timor-Leste e que Timor vencerá".
As acções de solidariedade da população de Macau para com o povo timorense continuam sábado com uma concentração nas Ruínas de São Paulo, cuja fachada será integralmente coberta com um pano reproduzindo a "primeira página" de um jornal em português, chinês e inglês com notícias e fotografias de Timor.
Ás 18:30, hora da concentração, saíra da ilha da Taipa um grupo de corredores com uma tocha acesa "em sinal de esperança por Timor" e ao longo da noite grupos musicais irão actuar no local.
O momento alto da concentração de sábado acontecerá quando vários timorenses apresentarem o seu testemunho sobre a situação que se vive no território, estando também previstas mensagens de dirigentes do Conselho Nacional de Resistência Timorense como João Carrascalão e Ramos-Horta.
A organização está ainda a tentar que Xanana Gusmão possa enviar uma mensagem à população de Macau, especialmente aos timorenses que se têm refugiado no território.
A solidariedade de Macau para com os timorenses tem-se manifestado ao longo dos anos com a recepção de muitos refugiados que procuram auxilio no território antes de seguirem para junto das suas famílias quer em Portugal quer na Austrália e a Administração portuguesa do território já anunciou um donativo de oito milhões de dólares americanos para a reconstrução de Timor-Leste.
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