icon-ham
haitong

São Tomé e Príncipe e China querem apostar na energia limpa e infraestruturas

epa05907091 Chinese President Xi Jinping (R) walks with Sao Tomean Prime Minister Patrice Trovoada (L) at the Great Hall of People in Beijing, China, 14 April 2017.  EPA/YOHEI KANASASHI / POOL

A embaixadora de São Tomé e Príncipe em Pequim considera que as "energias limpas" e a "edificação de infraestruturas" são áreas em estudo para desenvolver com a China. 

Isabel Domingos falava à Lusa à margem de um encontro com a comunidade são-tomense em Macau e durante o qual a embaixadora, no cargo desde 2018, homenageou a Associação dos São-Tomenses e Amigos de São Tomé e Príncipe, Macau-China.

"Estão a ser equacionadas questões como as energias limpas e a edificação de infraestruturas para continuar a amadurecer" no âmbito das relações bilaterais, disse.

As energias limpas incluem a solar, a eólica, a geotérmica, e a das marés, entre outras.

"Neste momento, sendo São Tomé e Príncipe um país com várias potencialidades e que também encontrou eco dentro daquilo que é a filosofia chinesa de ganhos compartilhados, áreas como a educação, a saúde, a agricultura, a formação de quadros técnicos do aparelho central do Estado tem sido bastante trabalhada", sublinhou.

Os dois países reataram as relações diplomáticas em dezembro de 2016 depois de São Tomé e Príncipe ter cortado com Taiwan, que tinha reconhecido em 1997, altura em que suspendeu o relacionamento com Pequim.

A diplomata são-tomense afirmou que o balanço das relações com a China é "extremamente positivo e consensual entre as duas partes".

"Os desafios que nos propusemos atingir, quer da parte chinesa, quer da parte são-tomense, têm sido executados com muita eficiência e [há] muito interesse de ambas as partes em continuar a aprofundar [o relacionamento]. Por isso e por tudo o que já foi realizado, e por todas as trocas que já foram efetuadas, e pelo próprio desempenho das relações é um balanço extremamente positivo e consensual entre as partes", destacou.

"Isso não invalida continuarmos a trabalhar para melhorar, para incrementarmos aquilo que as potencialidades de ambos os lados ainda nos permitem fazer e quer o Estado são-tomense, quer o Estado chinês estão bastante engajados nesse esforço e no encontro dessas novas relações a serem desenvolvidas", acrescentou.

Durante o encontro, Isabel Domingos entregou à associação são-tomense em Macau um certificado de reconhecimento pelo "trabalho desenvolvimento" no apoio à comunidade na região administrativa especial chinesa, cerca de 30 pessoas, e na promoção do país.

A associação distinguiu ainda o estudante são-tomense com melhor nota média no ano passado e o segundo melhor.

No mesmo encontro, o delegado de São Tome e Príncipe no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Macau), Gika Simão, afirmou que a adesão do país à organização é uma "oportunidade para atrair investimento privado para São Tomé e Príncipe" e também para os "empresários são-tomenses acederem ao mercado chinês, de Macau e talvez asiático".

Criado em 2003 por Pequim, o Fórum de Macau tem um secretariado permanente, reúne-se a nível ministerial a cada três anos e integra, além da secretária-geral, Xu Yingzhen, e de três secretários-gerais adjuntos, oito delegados dos países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

De acordo com os dados dos serviços da alfândega chineses, em 2018 as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos foram de 147.354 milhões de dólares (130 mil milhões de euros), um aumento de 25,31% em relação ao ano anterior.