PR em Macau: Sampaio reúne-se com Qian Qichen e inaugura o CCM
Arquivo Lusa 1999
Macau, 19 Mar (Lusa) - O Centro Cultural de Macau (CCM) que o Presidente Jorge Sampaio inaugura hoje é a última de uma série de infraestruturas que o governo de Macau lançou na última década de modo a criar condições para que o território se projecte no próximo milénio.
Jorge Sampaio iniciou o segundo dia da sua visita oficial a Macau com um encontro com o vice-primeiro-ministro chinês, Qian Qichen, com quem deverá passar em revista aspectos ligados aos últimos meses da transição de Macau antes de a 20 de Dezembro próximo reverter para a China como Região Administrativa Especial.
No final do primeiro dia de visita oficial, Jorge Sampaio, que esteve presente com Qian Qichen num jantar oferecido pelo Governador de Macau, considerou que o encontro que reuniu cerca de 500 pessoas foi "uma mensagem no futuro de Macau e nas relações entre a República Popular da China e Portugal".
O Governador Rocha Vieira considerou, na altura, que Macau e as suas gentes são "a maior expressão da amizade entre Portugal e a China", o que permite olhar o futuro com "certezas e confiança".
O CCM, cujo custo final ascende a 960 milhões de patacas (cerca de 20 milhões de contos), foi construido na zona dos Novos Aterros do Porto Exterior, junto ao rio das Pérolas, com projecto dos gabinetes de arquitectura +OBS+ (Irene ó e Bruno Soares) e +Intergaup+ (José Serrano), e é composto por dois edifícios, ocupando uma área coberta de 45 mil metros quadrados ligados por uma pala com 60 metros de comprimento e 25 de largura.
O CCM possuiu um edifício central com um grande auditório com capacidade para 1200 pessoas e um palco com 20 metros de profundidade, 24 de largura e 28 de altura, podendo o tecto móvel ser ajustado de forma a melhorar as condições acústicas em função do tipo de espectáculo.
Um outro edifício acolhe o Museu de Arte, uma galeria de exposições e um pequeno auditório para 400 lugares. Neste bloco, com salas para exposições permanentes e temporárias, ficarão expostas as peças do antigo Museu Luís de Camões, bem como novas peças entretanto adquiridas pelo Leal Senado.
Obras de artistas como Chinnery, Smirnoff, Borget e outros, ocidentais e orientais, vão ficar expostas nos 3720 metros quadrados reservados a exposições permanentes e temporárias.
A construção do CCM, da responsabilidade da empresa portuguesa +Soares da Costa+, prolongou-se por dois anos.
Com um orçamento de exploração de 50 milhões de patacas para 1999, o Centro Cultural de Macau conta com um ambicioso programa de entrada em funcionamento, cujo ponto alto será a representação, hoje e em 24 e 27 de Março, da primeira ópera de Richard Wagner, +O Navio Fantasma+.
+O Navio Fantasma+ levará à cena, em três actos, os barítonos Berns Weikl e Jorge Vaz de Carvalho, a soprano Elizabeth Connel, os tenores Wolfgang Neumann e José Manuel Araújo e a meio-soprano Liliana Bizineche.
Os coros são da Sinfónica Nacional da China e a orquestra é a Nacional de ópera e Ballet da China, sob a direcção do maestro Renato Palumbo, com encenação e cenografia da autoria de Paolo Trevisi.
O programa da Gala de Abertura do CCM inclui ainda a actuação da Orquestra Nacional de ópera e Ballet da China, regida pelo maestro Ivo da Cruz, tendo como solistas o pianista António Rosado e a soprano Elsa Saque, que interpretarão obras de Strauss, Lehar, von Suppe e Puccini.
O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) abrirá, por seu turno, em Abril com a peça "Zhong Xian: Sonhos de Borboleta", da autoria de Cheang Kai Sang, adaptada de uma obra literária da dinastia Ming, que versa a situação da mulher na China. A peça é levada à cena pela Associação de Teatro Hiu Kok, de Macau.
Até ao final do corrente ano estão já agendados mais de 150 eventos, com relevo para o XIII Concurso Internacional Vianna da Motta, o bailado +Lago dos Cisnes+, várias óperas chinesas, peças de teatro, ciclos de cinema, o X Festival de Artes de Macau e, em Outubro, a décima terceira edição do Festival Internacional de Música.
Lusa/Fim