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PR em Macau: Portugal está orgulhoso do que se fez, Jorge Sampaio

Arquivo Lusa 1999

Macau, 18 Mar (Lusa) - A menos de um ano da transferência do exercício da soberania, Portugal está orgulhoso de Macau e do que em Macau se realizou, afirmou hoje o Presidente da República ao discursar numa cerimónia solene de imposição de condecorações.

Jorge Sampaio teve palavras de apreço para com o general Rocha Vieira de quem disse "ter sido nesta terra não só o intérprete exemplar da estratégia portuguesa para o período de transição (...), mas também o penhor in loco da honra de Portugal e do escrupuloso cumprimento das obrigações assumidas na Declaração Conjunta pelo Governo da República".

"Bem haja, por isso, senhor governador, por ter sido nesta terra um homem de Portugal", acentuou o Presidente da República.

Depois de se referir ao ciclo de modernização ocorrido em Macau, através do qual o território foi dotado das infraestruturas necessárias que viabilizassem o seu futuro como moderno centro de  turismo e serviços, Sampaio disse que tanto ou mais importante do que isso era dotar Macau de condições institucionais que garantissem, pelo menos para os próximos 50 anos, a preservação da sua identidade e a autonomia de Governo que a Declaração Conjunta lhe concede.

"E é precisamente esta tarefa que está em vias de conclusão", acentuou.

Para o presidente, 12 anos volvidos após a assinatura da Declaração Conjunta, as línguas portuguesa e chinesa são oficiais e o bilinguismo está generalizado na Administração, a localização dos quadros encontra-se praticamente concluída, a autonomia judiciária plena em vias de ser declarada e o ordenamento jurídico será, em breve, da integral produção dos órgãos de Governo próprio do  Território.

"A pouco mais de nove meses da transferência do exercício da soberania, Macau aparece dotado de todas as instituições adequadas que garantem a sua autonomia político-administrativa e a preservação da identidade e especificidade próprias", afirmou o presidente.

Por isso, prosseguiu, o momento não é de perplexidades ou inquietações mas sim de confiança - "confiança na perdurabilidade das instituições criadas, confiança na força da cultura e identidade de Macau, confiança no dinamismo das suas gentes, confiança no cumprimento por todos os responsáveis dos compromissos solenemente assumidos.

Terminado o seu discurso, Sampaio impôs o título de membro honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito ao Leal Senado de Macau, a Grã-Cruz da Ordem Militar de  Santiago da Espada, a título póstumo, ao padre Benjamim Videira Pires e a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique a Arnaldo de Oliveira Sales e a Chui Tak Kei.

Arnaldo de Oliveira Sales é presidente do Clube Lusitano de Hong Kong e líder da comunidade portuguesa naquele território enquanto Chui Tak Kei é um respeitado membro da comunidade chinesa de Macau.

O presidente da República iniciou hoje uma visita de Estado cinco dias a Macau, no decurso da qual receberá em audiência o vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen e inaugurará o Centro Cultural, a derradeira obra de referência da administração portuguesa no território.

Lusa/Fim