PR em Macau: Pequim deseja enviar “destacamento avançado” de tropas, indica vice-pm chinês
Arquivo Lusa 1999
Macau, 19 Mar (Lusa) - o vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen indicou hoje que a China deseja enviar um "destacamento avançado" de tropas para Macau ainda antes da transferência de poderes, como aconteceu em Hong Kong.
A questão foi levantada à saída do novo Centro Cultural de Macau, quando dezenas de jornalistas e câmaras de televisão escoltaram Qian Qichen até ao automóvel que o conduziu à fronteira, tentando obter uma ultima declaração do vice-primeiro-ministro chinês.
"O governo central enviará um destacamento avançado para Macau?", perguntou um jornalista.
"Com certeza", respondeu o vice-primeiro-ministro chinês.
A decisão chinesa de instalar uma guarnição militar em Macau após a transição do território para a China foi anunciada em Setembro passado.
"É um símbolo de que a China reassumiu o exercício da soberania de Macau" e "beneficiará a estabilidade social e o desenvolvimento económico" do território, justificou na altura o próprio Qian Qichen.
Responsáveis portugueses criticaram a decisão chinesa, alegando que a questão não estava explicitamente consagrada na Declaração Conjunta assinada há 13 anos pelos governos dos dois países e que não há tropas em Macau desde 1975, quando Portugal extinguiu o comando militar do território.
Até agora, a China ainda não precisou a dimensão da referida guarnição, dizendo apenas que terá um "numero apropriado de tropas" e os seus custos serão inteiramente suportados por Pequim.
Tal como Hong Kong, a futura Região Administrativa Especial de Macau terá um "alto grau de autonomia", excepto nas áreas da defesa e relações externas, que serão da competência exclusiva do governo central chinês.
Antes de Pequim reassumir a soberania de Hong Kong, no dia 01 de Julho de 1997, o governo britânico autorizou a entrada de um destacamento avançado do Exército Popular de Libertação (nome oficial das forças armadas chinesas).
Qian Qichen, que concluiu hoje uma visita de dois dias a Macau, onde se encontrou com o Presidente da República Jorge Sampaio, é também o presidente da Comissão Preparatória do futuro governo do território.
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