PR em Macau: “O que importa é garantir a identidade”, diz Jorge Sampaio em entrevista
Arquivo Lusa 1999
Macau, 17 Mar (Lusa) - O processo de transição de Macau para a administração chinesa já entrou na fase em que "o que importa é garantir a identidade" do território, defendeu hoje o Presidente da República (PR), Jorge Sampaio em entrevista à rádio e televisão locais.
Jorge Sampaio disse à Teledifusão de Macau (TDM) que a afirmação da identidade de Macau, face ao facto da transferência da administração em 20 de Dezembro, "convém nitidamente aos dois países (Portugal e China)" mas é necessário lançar "rapidamente (...) as bases de uma Região Administrativa Especial capaz de se assegurar do desenvolvimento, de uma perspectiva de liberdade, também de liberdade de culto".
Depois da transferência da administração Macau passará a ter o estatuto de Região Administrativa Especial da China, gozando de autonomia em todas as áreas, à excepção da defesa e da diplomacia.
Jorge Sampaio, que inicia quinta-feira uma visita oficial de cinco dias a Macau durante a qual presidirá à inauguração do Centro Cultural de Macau e do novo edifício dos Tribunais do território,
afirmou hoje que "quando se procede à inauguração do edifício dos tribunais isso significa uma vontade de assinalar o esforço português na consolidação de um sistema jurídico, com a adesão chinesa, e na independência do poder judicial".
A inauguração do Centro Cultural, considerado uma das obras mais emblemáticas da administração portuguesa de Macau, significa, para o PR, "uma aposta serena na convivência cultural entre as várias culturas que existem no território".
Para Jorge Sampaio a transferência da administração de Macau é o fim de um capítulo da história do território e o início de outro capítulo e o que importa é "reiterar a (...) confiança sobre o futuro".
"E esse futuro é muito importante se quisermos olhar para o próximo século e pensarmos que o próximo século (...) será dominado pela forma como o chamado mundo europeu (...) se relacionar com a República Popular da China".
O Presidente da República manifestou igualmente confiança no futuro dos cidadãos locais de ascendência portuguesa, tradicionalmente designados como macaenses, considerando que "saberão continuar a ajudar a colocar a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) no mapa".
Durante a sua estada em Macau, Jorge Sampaio irá presidir também à inauguração, em 22 de Março, do III Encontro das Comunidades Macaenses espalhadas pelo mundo.
O PR considerou ainda que na área económica, depois da transferência da administração, Macau poderá ser um pólo estratégico importante para o "cruzamento da iniciativa económica entre a Europa e esta parte da China e a Ásia em geral", uma importância que, segundo Jorge Sampaio poderá manifestar-se "em matéria científica,
(...) em matéria de treino e preparação das pessoas ligadas aos serviços que possam servir esta parte da China". "Vão ser os cidadãos da RAEM e as suas autoridades (...) que vão estar profundamente empenhados no desenvolvimento das capacidades próprias de Macau, inserindo Macau na região e para isso naturalmente vão empenhar-se na internacionalização de Macau", concluiu Jorge Sampaio.
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