PR em Macau: Jorge Sampaio inaugurou a última grande obra de Portugal em Macau
Arquivo Lusa 1999
Macau, 19 Mar (Lusa) - O presidente Jorge Sampaio presidiu hoje à cerimónia de inauguração do Centro Cultural de Macau (CCM), o último grande empreendimento da Administração portuguesa do território, e que implicou um investimento de cerca de 960 milhões de patacas.
Projectado por uma equipa liderada pelo arquitecto Bruno Soares, o CCM é composto por dois edifícios, numa área coberta de 45.000 metros quadrados, um dos quais alberga dois auditórios e o outro o Museu Luís de Camões.
O grande auditório, com um total de 1.200 lugares sentados, inspira-se nos teatros clássicos e tem um tecto móvel que pode ser ajustado ou alterado de modo a melhorar as condições acústicas, em função do tipo de espectáculo.
O pequeno auditório, com capacidade para 400 lugares, está preparado para projecção de cinema e terá, à semelhança do grande auditório, sistemas de tradução simultânea e de legendagem em várias línguas.
O edifício dos auditórios, segundo os responsáveis pelo projecto, comporta também a área de apoio aos espectáculos, nomeadamente camarins, salas de ensaio polivalentes, um estúdio de dança, dois estúdios de música e uma sala de ensaio de orquestra.
O edifício do museu integra ainda uma galeria de exposições temporárias e um auditório com 120 lugares.
Os custos do projecto, num total de cerca de 21,8 milhões de contos, foram suportados em partes iguais pela Administração de Macau e pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, de Stanley Ho.
Com 150 espectáculos agendados até ao final do Ano, o CCM é hoje estreado com a actuação da Orquestra Nacional de ópera e Ballet da China, regida pelo maestro Ivo da Cruz, tendo como solistas o pianista António Rosado e a soprano Elsa Saque que interpretarão obras de Strauss, Lehar, von Suppe e Puccini. O concerto será repetido a 21 de Março.
No sábado, também integrado nas cerimónias de inauguração, o grande auditório do CCM vai ser o palco da primeira ópera de Richard Wagner, O Navio Fantasma", que levará à cena, em três actos, os barítonos Berns Weikl e Jorge Vaz de Carvalho, a soprano Elizabeth Connel, os tenores Wolfgang Neumann e José Manuel Araújo e a meio-soprano Liliana Bizineche.
Os coros são da Orquestra Sinfónica Nacional da China e a orquestra é a Nacional de ópera e Ballet da China, sob a direcção do maestro Renato Palumbo, com encenação e cenografia da autoria de Paolo Trevisi.
A cerimónia inaugural do CCM, centrada na convivência das culturas orientais e ocidentais, começou com a vivificação "presidencial" do dragão com 150 metros de comprimento, seguida da dança tradicional ao som de tambores. Em volta do palco, a dança do dragão foi "acompanhada" de 27 pequenos leões, também tradicionais em ocasiões de festa.
Depois do corte da fita por Bruno Soares (responsável pelo projecto), Stanley Ho (como financiador), Anabela Ritchie (presidente da Assembleia Legislativa), o ministro da Justiça Vera Jardim, o governador Rocha Vieira, o vice-primeiro-ministro da China, Qian Qichen, e Jorge Sampaio, o CCM foi benzido segundo os rituais católicos e budistas.
No final da cerimónia, jovens portugueses e chineses apresentaram-se no palco em trajes tradicionais de cada país e dançaram ao ritmo das suas canções tradicionais, misturando-se para simbolizarem a convivência pacífica de culturas em Macau.
Antes da visita às instalações, Jorge Sampaio e os convidados do governador, tiveram ainda oportunidade de escutar cerca de 300 alunos das escolas portuguesa e chinesas de Macau entoarem cânticos em português e chinês.
Até ao interior do CCM, os convidados percorreram um cordão formado pelos estudantes das escolas de Macau antes de serem recebidos, na escadaria que dá acesso aos edifícios que compõem o Centro, por um grupo de 24 figurantes, representando os doze pares das mais importantes óperas.
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