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Pansy Ho espera que Governo de Macau exija mais da indústria do jogo

A empresária Pansy Ho, filha do magnata do jogo Santley Ho, disse à Lusa que o ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau Ho Iat Seng é a pessoa certa para ocupar o cargo de chefe do Governo, Hong Kong, China, 12 de julho de 2019. “É a pessoa certa”, afirmou em entrevista à agência Lusa a multimilionária que lidera um grupo com investimentos em Macau, Hong Kong e China na área do imobiliário, transportes, hotelaria e construção civil, quando se está a pouco mais de um mês das eleições para chefe do executivo de Macau, agendadas para 25 de agosto. (ACOMPANHA TEXTO DE 15 DE JULHO DE 2019). JOÃO CARREIRA / LUSA

A empresária Pansy Ho considerou à Lusa que o Governo de Macau deve exigir mais da indústria do jogo e que a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) está a preparar-se para a atribuição das licenças em 2022.

Menor preocupação com o número de concessões a atribuir, manter os atuais promotores na exploração do jogo em Macau, não ceder à tentação de mudar simplesmente as ‘caras’ e  a convicção de que os investidores norte-americanos não serão excluídos devido à guerra comercial EUA/China são algumas das ideias expressas pela filha mais velha do magnata do jogo Santley Ho sobre as novas licenças a atribuir pelo Governo em 2022.

As recentes movimentações que protagonizou no início do ano, relacionadas com duas sociedades fundadas pelo pai, nada têm a ver com questões relacionadas com os investidores norte-americanos, garantiu aquela que é copresidente e acionista de referência da MGM China, que resultou de uma parceria entre a empresária e a norte-americana MGM Resorts para explorar casinos em Macau.

“No passado, a estrutura montada não era propícia a uma gestão eficiente e é por isso que temos de estar preparados”, afirmou, ela que, em janeiro, anunciou uma aliança com a Fundação Henry Fok para garantir o controlo da SJM Holdings Ltd e da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).

Segundo os analistas, em causa está a luta pelo poder por aquele que é o maior império do jogo em Macau, criado por Stanley Ho que, até ao final de 2001, beneficiou do facto de deter o monopólio da concessão dos casinos no território.

Em 2018, a irmã e parceira de negócios de Pansy Ho passou a ocupar a presidência da SJM Holdings, na qual também pontua a quarta mulher de Stanley Ho, Ângela Leong, diretora executiva, e importante acionista individual, mas que poderá ver reduzida no futuro a sua influência na gestão da empresa.

“Vamos entrar num processo de voltar a licitar nos próximos dois a três anos e é por isso que é mais crítico agora que a empresa tenha uma direção certa e uma estratégia bem definida para o futuro”, sublinhou.

A origem do capital e a nacionalidade dos investidores não é para Pansy Ho um potencial problema a considerar: “Se [os candidatos] responderem aos critérios e às exigências, acredito que não haverá uma deliberada exclusão”, sustentou.

A empresária defende que o Governo não deve ficar preso a um eventual número de licenças a atribuir, mas ser capaz de definir o caminho e de exigir a prestação de contas aos concessionários.

Depois, explicou, “todos os que se chegarem à frente têm de demonstrar que são capazes de trazer “algo extra a Macau”.

Pansy Ho disse acreditar que, do ponto de vista do mercado, os concessionários têm menos de cinco anos para responder a uma segunda fase de diversificação e defendeu que os atuais devem manter-se, pela experiência que acumularam, pelo que investiram e para acautelar qualquer mudança abrupta na indústria do jogo em Macau.

Em maio, o Governo de Macau avisou que as futuras concessionárias do jogo vão ser obrigadas a promover outras indústrias e a assumir mais responsabilidades sociais, algo que ficará plasmado nas exigências do concurso público em 2022.

Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Atualmente, operam no território seis concessionárias e sub-concessionárias: Sociedade de Jogos de Macau, fundada pelo magnata Stanley Ho, Galaxy, Sands, Melco Resorts, Wynn e MGM.

 

Ho Iat Seng é a pessoa certa para governar Macau

 

No plano político, Pansy Ho considera que o ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau Ho Iat Seng é a pessoa certa para ocupar o cargo de chefe do Governo.

“É a pessoa certa”, afirmou em entrevista à agência Lusa a multimilionária que lidera um grupo com investimentos em Macau, Hong Kong e China na área do imobiliário, transportes, hotelaria e construção civil, quando se está a pouco mais de um mês das eleições para chefe do executivo de Macau, agendadas para 25 de agosto.

Uma das acionistas de referência da Sociedade de Jogos de Macau e da MGM China, sociedades que exploram o jogo em Macau, disse estar convencida de que Ho Iat Seng é capaz de liderar a nova geração e para uma nova era de gestão de recursos.

Na AL, “viu e estudou os problemas que Macau enfrenta, (…) sabe de experiência direta quais são os problemas”, começou por explicar a empresária.

Pansy Ho sublinhou que Ho Iat Seng chegará ao cargo numa nova era, com melhores acessibilidades a servirem Macau, perante o desafio e oportunidade que representa a criação da metrópole mundial da Grande Baía e também grandes reservas financeiras à disposição.

Sobre este último ponto, uma das herdeiras do império do jogo de Stanley Ho é clara: o desafio hoje não é mais “fazer mais dinheiro, mas como fazer melhor uso dele e dos recursos”.

Mas o “assunto crítico” é “o futuro da próxima geração de Macaenses”, até porque “estamos agora numa encruzilhada”, sustentou.

“Continuamos a dizer que queremos reposicionar Macau, diversificar Macau, combater a dependência da economia da indústria do jogo”, bem como “agarrar a oportunidade da Grande Baía”, recordou, para concluir que tal não será conquistado por “uma mão-cheia de investidores”.

“Será a nova geração de Macau a fazer a diferença”, defendeu.

“Precisamos de um chefe do Executivo que consiga mobilizar, encorajar e convencer a nova geração de que esta é a forma de o fazer. E penso que [Ho Iat Seng] é a pessoa certa”, declarou.

Ho Iat Seng, empresário que se estreou como deputado em 2009, ano em que foi eleito para o cargo de vice-presidente da AL e, quatro anos depois, em 2013, para o de presidente daquele órgão, foi até abril um dos 175 membros do Comité Permanente da APN chinesa.

O candidato é administrador e gerente-geral da Sociedade Industrial Ho Tin S.A.R.L.; presidente do conselho de administração da Companhia de Investimento e Desenvolvimento Ho Tin, Limitada; e administrador e gerente-geral da Fábrica de Artigos de Plástico Hip Va.

Ex-membro do 13.º Comité Permanente da APN, foi até agora deputado na AL, vice-presidente da Associação Comercial de Macau e presidente vitalício da Associação Industrial de Macau.

O agora candidato a chefe do Governo de Macau foi membro dos 9.º, 10.º, 11.º e 12.º Comités Permanentes da APN, de 2000 a 2018, e membro do Conselho Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), de 2004 a 2009.

Ho recebeu a medalha de Mérito Industrial e Comercial, entregue pelo último governador de Macau (1999), Rocha Vieira, a medalha de Mérito Industrial e Comercial (2001) e a medalha de Honra Lótus de Ouro (2009), ambas atribuídas pelo Governo da RAEM.

 

Macau conseguiu ‘milagre’ turístico, agora é afirmar-se na Grande Baía

 

A empresária considerou também que Macau, depois de ter construído um ‘milagre’ turístico, tem agora de afirmar-se como ‘resort’ integrado e ‘crescer’ para o projeto chinês da Grande Baía.

“Há uma limitação de espaço e Macau precisa de crescer para a Grande Baía”, acrescentou, referindo-se ao projeto de Pequim de criação de uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província chinesa de Guangdong.

A Grande Baía é uma região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

Macau não tem o mesmo estatuto comercial e financeiro e Hong Kong, mas tem mais-valias ao nível geográfico e de posicionamento em áreas como o turismo integrado, indústrias criativas, medicina tradicional chinesa e plataforma cultural, destacou Pansy Ho que, desde 2018, é embaixadora da Organização Mundial do Turismo, agência especializada da ONU.

“Macau tem a capacidade de se tornar num ‘resort’ integrado”, de se apresentar como tal, mas tem de “ser capaz de se expandir e crescer para a Grande Baía”, defendeu a multimilionária, líder de um grupo que tem interesses na China, Hong Kong e Macau em áreas como o imobiliário, transportes, hotelaria e construção civil.

Este já não é o tempo “dos ‘manda-chuvas’ a realizarem investimentos bilionários”, mas “das centenas de milhares de pessoas que estiveram expostos ao desenvolvimento” e que podem singrar profissionalmente para além dos casinos, “no retalho, no turismo de negócios de eventos e até nas artes”, afirmou.

“Não é menos do que um milagre que um local sem grandes atrações turísticas naturais se tenha conseguido transformar desta forma no período de apenas 20 anos”, frisou à Lusa a empresária, defendendo que Macau não precisa do dinheiro extra das taxas turísticas, num momento em que o Governo estuda o assunto.

“Sabemos que o trabalho que temos pela frente é fazer de Macau um destino mais atrativo na área de Turismo de Negócios e Eventos”, superar “a forte fundação que construímos [indústria do jogo]]” e “sermos capazes de, pelo menos, atrairmos mais viajantes asiáticos”, defendeu.

Pansy Ho sublinhou que “não se deve pensar em menos turistas, mas em os distribuir por diferentes atrações”, garantindo que “fiquem mais dias em Macau”.

Ou seja, “devemos e temos de começar a falar (…) como integrar chegadas e distribuir turismo em Macau”, disse a empresária que pertence à direção da sociedade que gere o aeroporto internacional de Macau, e que detém participações em companhias de transporte (ferries, helicópteros e autocarros) entre Hong Kong e Macau.