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Nova Rota da Seda é “iniciativa diferente” que se baseia “em colaborações”

Lisboa, 07 dez 2019 (Lusa) - A presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS), Fernanda Ilhéu, defende que o projeto da Nova Rota da Seda no continente africano é "uma iniciativa diferente" que pretende basear-se na cooperação.


"Esta iniciativa é diferente, baseia-se numa colaboração bilateral ou multilateral que tem como objetivo desbloquear certas lacunas que impedem que esses países consigam estabelecer um desenvolvimento sustentado que os leve ao maior bem-estar", disse Fernanda Ilhéu à Lusa.


Fernanda Ilhéu, professora universitária no Instituto Superior de Economia e Gestão, considerou que a relação entre China e o continente africano é "uma relação que vem de há muitos anos"


A professora defendeu que "há uma preocupação muito grande para que a ajuda seja feita sob a forma de cooperação", sublinhando que "não é uma dádiva".


A iniciativa, referiu Fernanda Ilhéu, "está aberta a quem quem colaborar com a China nesse sentido", sendo para isso necessário que "os países envolvidos tenham uma grande relação com a China".


A professora universitária referiu que a Nova Rota da Seda "não é um Plano Marshall".


"Os países deverão, eles próprios, ter a iniciativa de propor à China os projetos que consideram ser fundamentais", acrescentando que tem de haver uma avaliação para que estes projetos "depois não se venham a mostrar ruinosos".


Fernanda Ilhéu defende que o interesse da China em investir nestes países passa pelo "novo modelo de globalização" e pelo "crescimento da economia global".


"Ou crescemos todos, ou dificilmente a China também crescerá. Precisamos do crescimento dos países menos desenvolvidos para nos equilibrarmos todos".


Para a presidente da ANRS, os projetos de desenvolvimento conjunto são uma forma de ultrapassar o desemprego no continente africano.


Lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota", conhecida como a Nova Rota da Seda, pretende reforçar as ligações e dinamizar o comércio entre várias economias da Ásia, do Médio Oriente, da Europa e de África, através de investimentos em infraestruturas.


Fernanda Ilhéu falou à Lusa dias antes da apresentação do livro "The New Silk Road and the Portuguese Speaking Countries in the New World Context", que redigiu em pareceria com Francisco Leandro, professor da Universidade Saint Joseph, em Macau, e Paulo Duarte, professor do Departamento em Relações Internacionais e Administração Pública da Universidade do Minho.


A obra "tem uma análise que entronca os aspetos fundamentais da Nova Rota da Seda no século XXI", explicou a autora que indicou que o objetivo da obra é "chamar a atenção para a iniciativa".


O livro, divido em nove capítulos, conta com a colaboração de vários autores e será lançado oficialmente no próximo dia 12, no jantar do terceiro aniversário da ANRS, a realizar no Casino Estoril.



JYO // PJA


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