Macau/99: Stanley Au defende liberalização de telecomunicações internacionais
Arquivo Lusa 1999
Macau, 08 Mai (Lusa) - As chamadas internacionais devem ser liberalizadas em Macau, defendeu hoje Stanley Au Chong Kit, candidato ao cargo de primeiro chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
Ao intervir numa sessão de perguntas e respostas perante a Comissão de Selecção que irá escolher o primeiro chefe do executivo da RAEM, Stanley Au mostrou-se um defensor da política de monopólios devido à reduzida dimensão de Macau, mas salientou que há alguns sectores "como as telecomunicações internacionais" que podiam ser liberalizados.
Perante a Comissão de Selecção Stanley Au também já se tinha mostrado desfavorável à concessão exclusiva do jogo em Macau, actualmente em poder da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau.
A questão dos monopólios será, no entanto, e segundo Stanley Au, avaliada por uma comissão especializada que irá estudar pormenorizadamente cada sector em que a exclusividade da exploração está atribuída.
Ao salientar que Macau será, se for eleito, "um bom local para o investimento e para o comércio", Stanley reafirmou que em cinco anos a indústria de entretenimento e do jogo estará associada à organização de conferências e ao turismo e em dez anos a banca e o sistema financeiro incluirão operações domésticas e off-shore .
Com estas linhas de orientação "Macau terá em 18 anos um Produto Interno Buto idêntico ao de Hong Kong e ao de Singapura", disse sem especificar quais os valores em causa.
Para o sector do Jogo, Stanley Au defende também um sistema idêntico ao de Las Vegas onde os próprios casinos emprestam dinheiro aos jogadores e referiu que 50 por cento das receitas geradas nas salas de jogo daquela cidade provêm de empréstimos.
Relativamente à área da segurança, Stanley Au reafirmou que os problemas advêm dos casinos e prometeu um combate com "determinação e firmeza" à actividade das seitas que considera serem um "cancro da sociedade".
Além disso, continuou, é também importante aumentar e estimular a formação dos agentes policiais do território e aprender com a experiência chinesa de infiltrar agentes nas associações secretas por forma a combatê-las.
A transferência da Administração para a China irá, segundo Stanley Au, conceder mais responsabilidades à Assembleia Legislativa do território que terá, nessa altura, oportunidade de "melhorar o quadro legislativo por forma a que a polícia tenha mais apoio no combate à criminalidade".
Além da legislação criminal, os deputados devem ainda "melhorar as leis que não atingiram os objectivos traçados pelo legislador", defendeu.
Instado a comentar o mau funcionamento da Administração Pública, Stanley Au considerou necessário "incentivar os funcionários e ouvir especialistas" em funcionalismo público para tomar medidas de modernização da máquina administrativa cujo objectivo final é apenas "diminuir a burocracia e aumentar a eficiência dos serviços para dar uma resposta mais rápida aos cidadãos".
Stanley Au referiu que as suas prioridades como chefe do executivo serão a "melhoria da segurança, estabelecimento de planos a curto e médio prazo de recuperação económica, criação de mais postos de trabalho e mais oportunidades de emprego e plano de atracção de técnicos especializados para trabalharem em Macau".
Ao afirmar que a sociedade de Macau "deve ser aberta para que os residentes possam ter mais oportunidades", Stanley Au defendeu que a China dá muita importância à tecnologia pelo que o território pode aproveitar o desenvolvimento tecnológico chinês para alguns dos produtos locais.
Stanley Au defendeu, contudo, que para implementar os seus projectos e o seu programa necessita do "apoio de todos os sectores da sociedade".
Citando o ex-patriarca chinês Deng Xiaoping, Stanley Au diz que também defende que o trabalho da Administração deve ter como objectivo principal "melhorar a qualidade de vida dos cidadãos".
Interrogado como vai promover a imagem internacional de Macau, Stanley Au disse que a sua primeira medida é combater a criminalidade por forma a assegurar que a "comunicação social internacional não fale mal do território".
Como resposta à crise imobiliária que afecta Macau devido à construção excessiva de edifícios, Stanley Au considera importante "estimular a procura interna e conceder novos incentivos de investimento".
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