icon-ham
haitong

Responsável do governo defende cooperação no triângulo Macau, Cantão e Hong Kong

Arquivo Lusa 1999

Cantão, China, 25 Mar (Lusa)- As autoridades do turismo de Macau, da cidade chinesa de Cantão e de Hong Kong devem reforçar e potenciar cada vez mais o programa do Delta do Rio das Pérolas que  envolve as três áreas geográficas, defendeu hoje em Cantão o responsável pelo turismo em Macau.

" O programa que existe desde 1992 necessita de ser potenciado com mais acções conjuntas e esperamos que isso aconteça já a partir de Junho quando se reunirem em Macau os responsáveis turísticos das três regiões", afirmou hoje Salavessa da Costa, num encontro com Li Chun Hong, o número dois da província chinesa de Guangdong que tem uma população de 70 milhões de pessoas.

O secretário-adjunto para a comunicação, turismo e cultura de Macau recordou que cada cidade tem as suas características especiais que "permitem promover a região como um todo junto dos turistas de outras áreas do globo" uma vez que "Macau é um centro de cultura, Hong Kong um centro financeiro e comercial e Cantão é um exemplo da velha China e do desenvolvimento e abertura do pais".

Durante o encontro, realizado no âmbito da promoção de Macau em Cantão, capital da província de Guangdong, Salavessa da Costa e Li Chun Hong, vice-secretário-geral do governo da província de Guangdong, concordaram na necessidade de um reforço na área da cooperação turística nomeadamente criando condições para que "mais turistas chineses da província visitem Macau" .

"Os nossos pedidos para que fosse aumentado o tecto de vistos concedidos para visitantes chineses se deslocarem a Macau foram ouvidos pelas autoridades centrais e, desde Agosto de 1998, o número de visitantes aumentou mas, torna-se necessário que esse número seja ainda maior", disse Salavessa da Costa.

Números oficiais revelam que durante os primeiros dois meses de 1999 visitaram Macau 230 mil turistas da República Popular da China, o que representa um aumento de 125 por cento em relação a  igual período de 1998 e significam 20 por cento dos visitantes de Macau no mesmo período (um milhão e duzentos mil) .

No computo geral dos dois primeiros meses de 1999 os turistas da República Popular da China representam o segundo maior grupo de visitantes que se deslocam a Macau logo depois de Hong Kong.

Li Chun Hong disse ainda, aos mais de 400 convidados presentes na abertura da Promoção de Macau, em Cantão, que o turismo na província de Guangdong cresceu 13,5 por cento, entre 1997 e 1998,  representando receitas na ordem dos 2,94 milhões de dólares americanos e sugeriu que estes índices fossem aproveitados pelos

operadores de Macau para poderem igualmente canalizar parte dos visitantes para o território ainda sob administração portuguesa.

"A passagem de Macau para a soberania chinesa, em Dezembro deste ano, poderá ser um factor importante para promover o território e captar mais turistas da República Popular da China", referiu o responsável chinês.

Salavessa da Costa defendeu a mesma tese acrescentando, no entanto, que "sendo compreensível o orgulho da China em assumir a administração de Macau a 20 de Dezembro de 1990 tem de ser também entendido o orgulho de Portugal, do que fez ao longo de mais de 450 anos e que permite hoje ter confiança no futuro de Macau e no reforço das relações luso-chinesas".

"E importante que estas acções de promoção de Macau em Cantão, que já se realizam há vários anos, continuem depois de Dezembro de 1999 e que Cantão faça igualmente acções em Macau para que seja possível reforçar cada vez mais os laços de amizade e cooperação de regiões que se conhecem há mais de 400 anos", referiu ainda Salavessa da Costa.

Operadores turísticos de Macau que se deslocaram a Cantão para participarem numa Bolsa de Contactos disseram a agência Lusa que "o futuro do turismo de Macau esta na província de Guangdong uma vez que os chineses tem muito dinheiro para gastar no exterior e os primeiros locais a visitar são Macau e Hong Kong".

Participaram na Bolsa de Contactos 30 operadores turísticos de Macau, entre agências de viagens, hotéis e companhias aéreas, que vão estar presentes igualmente, a partir de sexta-feira, na "Feira de  Turismo de Cantão", uma das maiores da República Popular da China, que reúne milhares de expositores e é visitada por milhões de pessoas.

Os apelos de Macau e Guangdong para o reforço das relações de cooperação ao nível turístico surge precisamente no dia em que as autoridades municipais de Cantão, capital da província de Guangdong  que possui uma população de 11 milhões de pessoas, anunciaram que o crescimento económico para 1999 devera ser da ordem dos 13 por cento.

Lusa/Fim