Macau precisa do “apoio, compreeensão e acompanhamento” de todos os macaenses – Jorge Rangel
Arquivo Lusa 1999
Macau, 21 Mar (Lusa) - Macau vai precisar, no futuro, do "apoio, compreensão e acompanhamento" de todos os macaenses independentemente do local onde se encontrem, defendeu hoje o secretário-adjunto do governo local para a Administração, Educação e Juventude.
Apesar das mudanças que a transferência da administração para a China em 20 de Dezembro irá provocar na vida de Macau, é importante que os macaenses continuem "a apostar no futuro do território" para que ele se mantenha com a sua maneira de viver própria, disse Jorge Rangel.
O secretário-adjunto, o único macaense no Governo do território, falava para cerca de 1.200 pessoas que estão em Macau para participarem no terceiro encontro das Comunidades Macaenses, cuja sessão de abertura será presidida pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, na segunda-feira.
O secretário-adjunto destacou que a Lei Básica, a mini-constituição que regerá Macau como região administrativa especial chinesa a partir de 20 de Dezembro, consagra o direito de residência dos macaenses na sua terra que hoje se apresenta moderna e preparada para os desafios do futuro.
"Antigamente", sublinhou, os jovens que queriam seguir um curso superior tinham de fazê-lo no estrangeiro mas hoje "só não vai para as diversas Universidades de Macau quem não quer", disse, ao salientar que a par da construção de infraestruturas modernas como o aeroporto internacional, a Administração portuguesa tem apostado na educação e preparação de quadros para o futuro.
Jorge Rangel manifestou também uma grande "confiança no futuro" porque Macau possui quadros dirigentes "bem formados" e com "grande motivação" para trabalharem em prol do território e destacou que Portugal vai entregar a administração local à China com um sentimento de "obra feita", sem dívidas e com algum dinheiro.
Aos seus "irmãos" macaenses, como fez questão de frisar, Jorge Rangel leu ainda um poema de Fernando Pessoa que se "adapta" a Macau porque na "linha severa da longínqua costa, onde a nau se aproxima, ergue-se a encosta, em árvores onde o longe nada tinha, mais perto abre-se a terra em sons e cores, e no desembarcar há aves, flores onde era só de longe abstracta linha".
"O sonho é ver as formas invisíveis, da distância imprecisa e, com sensíveis movimentos da esperança e da vontade, buscar na linha fria do horizonte, a árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - os beijos merecidos da verdade", disse, ao citar o poema de Pessoa.
Jorge Rangel lançou ainda aos participantes no III Encontro das Comunidades Macaenses as ideias de manifestarem o desejo da realização do quarto encontro e da constituição de uma federação de Casas de Macau espalhadas pelo mundo.
Os participantes no III Encontro das Comunidades macaenses assistiram ainda ao lançamento do livro "Macau di nãs- sa coraçom" (Macau do nosso coração em patoá, o dialecto macaense), uma colectânea de textos divididos pelas temáticas das histórias, memórias, a cultura macaense, os mitos, a diáspora e a transição de Macau.
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