Macau/99: Portugal vai sair de “cabeça levantada” – Mário Soares
Arquivo Lusa 1999
Vila Real, 23 Abr (Lusa) - Mário Soares afirmou hoje, em Vila Real, que Portugal vai sair de Macau "com orgulho e de cabeça levantada, deixando à China uma grande cidade".
"Estive há dois meses em Macau e pude verificar qual foi o desenvolvimento", afirmou o ex-presidente da República, acrescentando que Portugal vai deixar a China um território que, "durante vários séculos, foi um cruzamento de civilizações, culturas e religiões".
Mário Soares, que falava na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, no âmbito do I Congresso Portugal- China, referiu como exemplo de "grandes realizações" no território a Universidade de Macau e o pólo da Universidade Católica de Macau, "que vão continuar pelos anos fora".
O ex-presidente da Republica manifestou ainda a esperança de que os portugueses "continuem a estar presentes em Macau, como devem e como os chineses querem".
"Que Macau não seja apenas um lugar de influências entre chineses e portugueses mas entre o ocidente e o oriente, entre a China e a União Europeia, onde nós estamos no coração e onde teremos uma influência cada vez maior, e e por isso que a China está tão interessada também em Portugal+, afirmou.
Para Mário Soares, "os chineses têm uma grande estima por Portugal e tem sido muito cordatos e simpáticos nas relações que tem mantido com o nosso país+, acrescentando que, por esse facto, e "boa" a declaração conjunta para a passagem de Macau da administração portuguesa para a chinesa.
Na sua intervenção, Soares recordou o primeiro contacto que teve com as Nações Unidas, em Junho de 1974, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros, durante o qual anunciou que "Portugal ia fazer a descolonização".
"Naquele dia os chineses transmitiram-me a seguinte ideia: atenção, Macau não é colónia, não há que fazer descolonização, sobre esse assunto falaremos mais tarde", salientou Mário Soares, acrescentando que foram essas as ideias que entregou a comissão de descolonização.
O ex-presidente da República admitiu, no entanto, que "alguns militares que estavam em Macau, não em Lisboa, nem com responsabilidades, pensaram que também era de fazer ali a descolonização, mas foi um pequeno grupo de regozijo pela democracia que foi logo quartado e bem".
O I Congresso Portugal-China foi organizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, estando o segundo marcado para o ano 2003, na Universidade do Minho.
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