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Macau: Organização Mundial de Poetas homenageia Camões

Arquivo Lusa 1999

Macau, 02 Jul (Lusa) - A Organização Mundial de Poetas (OMP) homenageou hoje em Macau "a grandeza e universalidade" de Luís de Camões com a inauguração de uma lápide em honra do poeta.

Junto com a lápide, os delegados ao colóquio de Macau da OMP que homenageia Camões como poeta universal fizeram questão de depor uma coroa de flores junto do busto do poeta, com a frase "O mundo  todo abarco e nada aperto".

"É uma frase que exemplifica o espírito universalista de Camões, ele tem todo o mundo ao alcance, e não quer nada para ele, não tenta impor nada, maravilha-se com as diferenças entre os povos", explicou Luís Sá Cunha, da comissão executiva do colóquio, que trouxe até Macau 25 poetas de todo o mundo.

"Camões é dos maiores poetas de todos os tempos, é o primeiro poeta planetário, global, no sentido que p"de ter a oportunidade histórica de viajar. Camões conheceu a costa toda de África, vai para o Ceilão, vai para a índia, vive 15 anos em Macau, era um homem do Oriente", acrescentou.

Para a comissão executiva do colóquio, o objectivo da homenagem é lembrar o universalismo de Luís Vaz de Camões, quando a humanidade vive em plena era global.

"O grande contributo mundial de Camões é que ele dá vida, essencializa aquilo que vê. Até aí o mar era um objecto só com existência material, com Camões passa a ser um ser simbólico. É Camões também que dá a conhecer à poesia europeia as raças diferentes, a introdução da beleza feminina de cor, com os sonetos à escrava", termina Sá Cunha.

Os alunos do Curso de Verão de língua portuguesa, a decorrer em Macau organizado pelo Instituto Português do Oriente, marcaram também presença na homenagem a Luís de Camões.

Yi Son Gheong, 31 anos, é sul-coreano e estuda português na Universidade de Seul, porque planeia ir viver para o Brasil.

Yi Son admite não saber quase nada sobre Camões. "Só sei que é muito famoso e que escreve sobre a história de Portugal. Mas espero ainda estudar os livros dele durante o curso", disse o estudante à agência Lusa.

Quem conhece mais de Camões é Louella, de 31 anos, nascida e criada na cidade indiana de Damão, onde sempre falou português. "É a língua materna de toda a população cristã, e muita gente conhece Camões", diz Louella, que, embora nunca tenha lido os Lusíadas, admira a obra lírica do poeta.

"Os poemas de amor são muito humanos e, apesar de terem sido escritos noutros tempos, são muito práticos, são como modernas histórias de amor", é a opinião de Louella.

Ao lado está Chao Mu Canualan, que não pode deixar de concordar. É que esta tailandesa de 25 anos só estuda português porque o namorado é brasileiro.

A OMP é uma organização internacional não-governamental, sem fins lucrativos, criada em 1984. É presidida por Leopold Sedar Senghor e é hoje representada pelo seu presidente interino, o poeta  Georges-Emmanuell Clancier, um dos conferencistas no colóquio de Macau.

Lusa/Fim