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Macau: OMS declara crise de tuberculose na região Pacífico Ocidental

Arquivo Lusa 1999

Macau, 17 Set (Lusa) - A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou hoje em Macau existir uma crise de tuberculose na região do Pacífico Ocidental, finalizando os trabalhos da reunião plenária do  comité da região com um pedido de empenhamento político dos países da área.

"Se houver vontade política, podemos reduzir para metade os casos da tuberculose da região nos próximos dez anos", disse Shigeru Omi, director da OMS para o Pacífico Ocidental, área do mundo  onde se regista cerca de 29 por cento dos casos mundiais de tuberculose.

Falando na sessão de encerramento da 50.ª sessão plenária do Comité Regional para o Pacífico Ocidental da OMS, que decorreu em Macau, Shigeru Omi considerou inadequado o compromisso político dos governos da região, em especial face à aplicação dos sistemas de tratamento por observação directa (STOD).

"Quando a China introduziu o STOD em áreas do país, o número de mortes devido à tuberculose baixou de 30 por cento em 1991 para 07 por cento em 1994. Se o STOD fosse aplicado em toda a região, seria possível alcançar valores idênticos em todo o Pacífico Ocidental,

poupando dezenas de milhares de vidas a cada ano", defendeu Shigeru Omi.

O director da OMS para o Pacífico Ocidental leu também na ocasião um comunicado do director-geral da OMS, Gro Brundtland, obrigado a cancelar a visita a Macau devido à passagem do tufão "York" que cortou todas as vias de comunicação para o território.

No comunicado lido por Shigeru Omi, o número um da OMS deu a conhecer as quatro linhas estratégicas para o futuro da instituição, respectivamente a redução do número excessivo de casos de mortalidade e deficiências físicas e mentais, a luta contra potenciais ameaças para a saúde, a reflexão sobre os vários tipo de sistemas de saúde e a luta para colocar as questões da saúde no centro debate público.

"Sobre a redução da mortalidade e causas de deficiências, a região do Pacífico Ocidental pode orgulhar-se de ter registado melhorias consideráveis, mas há ainda muito que fazer em especial no  que diz respeito à luta contra a malária, a tuberculose e as doenças sexualmente transmissíveis", avaliou Gro Brundtland.

O director-geral da OMS considerou também ser necessário reflectir sobre quais os serviços que devem ser cobertos pelos sistemas de saúde dos países da região, e como devem ser financiados.

Focando as formas de contrariar as potenciais ameaças para a saúde pública, Gro Brundtland realçou os problemas postos pela poluição ambiental, pela falta de condições sanitárias e pelo tabaco, referido no comunicado como uma "epidemia emergente prestes a atingir os países em vias de desenvolvimento".

"Os adolescentes estão a ser atraídos para o vício do tabaco. Na maioria dos países, nove em cada dez viciados admitem ter começado a fumar antes dos 18 anos. Num caso destes nem sequer se trata do  direito de escolha de cada um, trata-se de uma violação dos direitos das crianças", acusou Gro Brundtland.

A sessão plenária da Região do Pacífico Ocidental teve início no passado dia 13 e reuniu em Macau mais de 100 delegados de 37 países e territórios, incluindo 20 ministros da saúde entre os quais os de Portugal e da China.

Desde 1993 que os delegados de Macau participam nas sessões plenárias do Comité Regional para o Pacífico Ocidental da OMS, tendo Portugal e a China concordado em 1993 que Macau continuará na  organização.

Lusa/Fim