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Macau: Nova ponte “deverá reflectir cooperação” luso-chinesa

Arquivo Lusa 1999

Macau, 14 Set (Lusa) - O governador de Macau, Rocha Vieira, defendeu hoje que a inauguração da Ponte Flor de Lotus, que ligará o território à China, deve reflectir a cooperação entre Portugal e a China na questão de Macau.

A Ponte Flor de Lotus é, segundo Rocha Vieira, mais um "símbolo da boa cooperação entre Portugal e a China" pelo que ficaria "satisfeito" que a inauguração da nova ponte "pudesse também, de alguma forma, simbolizar esse entendimento na altura em que se dá a transferência de soberania".

Rocha Vieira, que falava após uma visita ao empreendimento, disse também que veria "com bons olhos" que a inauguração da ponte "pudesse ser mais um contributo das duas partes para demonstrar à população e ao mundo que é possível cooperar e fazer obra através do diálogo e do entendimento".

O Governador considerou ainda que a presença de Jorge Sampaio e Jiang Zemin na inauguração da ponte seria um sinal da cooperação bilateral, mas acentuou que tal decisão cabe aos dois chefes de Estado, ficando o Governo do território apenas com a responsabilidade de criar as condições para que tal seja possível e "isso será feito pelo menos do lado de Macau".

A construção da ponte Flor de Lotus deverá estar concluída no final de Novembro, uma data apontada pelas autoridades chinesas já que do lado de Macau os trabalhos de construção civil deverão ser finalizados no final de Outubro.

A nova travessia do Rio das Pérolas terá 1.781 metros, três faixas de rodagem em cada sentido e o custo da obra, só do lado de Macau, está orçamentado em cerca de 83 milhões de patacas.

A ponte terá uma largura de 30 metros, capacidade para escoar 3.600 veículos por hora e a sua construção obrigou à colocação de 46,7 quilómetros de estacas e ao uso de 27.500 metros cúbicos de betão, 4.200 toneladas de armaduras em aço, 68.000 toneladas de aço em pré-esforço e 17.150 metros cúbicos de betão betuminoso.

A Administração de Macau construiu ainda junto à ponte uma nova fronteira que terá um edifício aduaneiro, 'dutty-free shop', torre de acesso, duas passagens superiores para peões, dois edifícios de apoio de material apreendido e armazém e três áreas cobertas para instalação dos centros de controle da Polícia Marítima e Fiscal.

Orçado em cerca de 97,9 milhões de patacas, o posto fronteiriço estará concluído no final de Setembro, será testado a partir de Outubro e terá capacidade para a passagem de 53.700 pessoas e 21.120 veículos por dia e em cada sentido.

Lusa/Fim