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Macau não necessita de mudar de rumo e orientação

Arquivo Lusa 1999

Macau, 12 Fev (Lusa) - O governador de Macau, Rocha Vieira, defendeu hoje que o território está preparado para iniciar uma nova etapa sob administração chinesa, a partir de 20 de Dezembro de 1999, sem mudanças, nem de rota, nem de orientação.

O responsável pela administração de Macau assegurou que as linhas de orientação que vêm sendo seguidas "são correctas, são seguras e estão bem traçadas", pelo que Macau "não precisa de mudar", mas sim "continuar na mesma linha de rumo que tem vindo a ser seguida".

Rocha Vieira admitiu que têm ocorrido problemas nomeadamente no que toca à crise económica e financeira e à segurança, mas afirmou-se convicto que "são assuntos que naturalmente no longo prazo se esbaterão face às condições estruturantes que estão construídas para a futura Região Administrativa Especial de Macau".

O governador falava durante a abertura ao tráfego do istmo entre as ilhas da Taipa e Coloane que desde hoje tem três faixas de rodagem até meio do percurso Taipa/Coloane onde se efectuará a

ligação à ponte Flor de Lotus, a nova fronteira entre o território e a China.

Depois da ligação à ponte, e até à ilha de Coloane, o istmo, que só tinha uma faixa de rodagem nos seus 2.200 metros de extensão, passa a dispor de duas faixas em cada sentido.

O alargamento do istmo vai também contribuir, segundo Rocha Vieira, para a "materialização desse elemento estratégico que é a ligação ao interior da China (através da ponte Flor de Lotus)".

Rocha Vieira recordou que há 30 anos as três partes de Macau - península e duas ilhas - estavam desligadas, e hoje possuem "elementos que permitem articular as suas parcelas de uma maneira

harmónica, moderna e de uma forma que responde às necessidades de desenvolvimento do território e às perspectivas que estão no plano director para as próximas décadas".

O alargamento do istmo "é mais uma melhoria que é posta à disposição da população para usufruir, melhorando a qualidade de vida, melhorando a acessibilidade e naturalmente dando a Macau aquela vocação de uma cidade moderna através do ciclo de desenvolvimento que foi iniciado desde a abertura da China ao exterior", disse.

A abertura da China ao exterior tem, referiu Rocha Vieira, "possibilitado que Macau desempenhe de melhor modo a sua vocação de plataforma estratégica" e correspondido "à ligação que se pretende ter de Macau ao 'interland' chinês" resultando daí a "importância da ponte flor de Lotus e do posto fronteiriço", assinalou.

A inauguração da ponte, prevista para o final do ano de 1999, vai também "conferir uma outra capacidade ao Aeroporto Internacional de Macau" que é uma infraestrutura de "grande importância, vital para o processo de autonomia e de consolidação da futura região Administrativa Especial de Macau", afirmou.

"É evidente que uma cidade com meio milhão de habitantes não pode ter por si só um aeroporto internacional. O aeroporto tem de ter uma área de influência superior àquilo que é a dimensão geográfica e demográfica do território e o AIM tem respondido bem, tem sido um grande sucesso (...) e as suas potencialidades são mais do que aquelas que estão agora em exploração", assinalou.

Referindo que o aeroporto tem respondido bem à intenção de "potenciar Macau", Rocha Vieira salientou, contudo, que há que "materializar as condições para que as potencialidades do aeroporto

sejam aproveitadas" e apontou a ponte Flor de Lotus como "um elemento dessa rede estratégica não só de influência, mas de plataforma e ligação ao interior da China".

"Nós temos feito uma gestão bastante rigorosa do orçamento do território, olhando sempre para o futuro, não criando problemas para a futura Região Administrativa Especial de Macau, e antes pelo contrário, temos utilizado os recursos do território de uma forma que se pode considerar de investimento reprodutivo para o futuro do território", recordou ainda Rocha Vieira.

Para Rocha Vieira esse investimento reprodutivo "está à vista" de quem vive e visita Macau e apontou como exemplo o alargamento do istmo entre as ilhas da Taipa e Coloane e a construção de um posto fronteiriço e da ponte entre o território e a República Popular da China, três obras onde foram investidos cerca de 250 milhões de patacas (cerca de 5,5 milhões de contos).

O governador de Macau referiu-se ainda às cerimónias da transferência de Administração de Macau defendendo "a título pessoal" que as despesas deveriam ser repartidas por Portugal, China e Macau.

Rocha Vieira lembrou, finalmente, que tudo o que foi realizado pela administração portuguesa em Macau "é um factor de confiança para o futuro, representa um sentido de grande responsabilidade e de cooperação entre Portugal e a China e só foi possível porque tem havido uma grande vontade e determinação da população de Macau que aceitou bem os desafios da transição".

Lusa/Fim