Macau mantém vocação secular para a “cooperação”, diz Rocha Vieira
Arquivo Lusa 1999
Macau, 07 Abr (Lusa) - Macau mantém, no limiar da transferência de administração para a China em 20 de Dezembro, a sua vocação secular para a "cooperação" e a "internacionalização", defendeu hoje o governador do território, Rocha Vieira.
"A vocação de Macau foi sempre, desde que há mais de quatro séculos os portugueses e a Europa chegaram a terras do Oriente, a cooperação e a internacionalização", disse Rocha Vieira na abertura de um seminário sobre questões de segurança na região Ásia-Pacífico.
"De um modo essencial, Macau é hoje, ao olhar para o futuro, o que sempre foi", referiu Rocha Vieira aos participantes no seminário organizado pelo Fórum Luso-Asiático.
Para o último governador português de Macau "este traço comum a todo o tempo da presença de Portugal na China tem hoje, e no futuro previsível, um valor reforçado, a marca de uma mensagem orientadora para o futuro".
"Em tempos de globalização, este sentido de cooperação ganha significado estratégico e ganha relevo como base de construção no futuro", defendeu Rocha Vieira, considerando que "as potencialidades de desenvolvimento da China (...) e o potencial de crescimento que continua a existir na Ásia serão os factores gerais que permitirão a Macau aproveitar e desenvolver as suas condições competitivas".
Rocha Vieira lembrou, no entanto, que a "vocação estratégica" de Macau como "plataforma de cooperação" torna o território muito sensível ao seu enquadramento regional, tendo sofrido o impacto da crise económica asiática "ainda que em nada tivesse contribuído para ela".
"A crise das economias asiáticas veio (...) confirmar que a globalização dos sistemas económicos não dispensa as considerações atentas das realidades e singularidades locais e regionais", afirmou o governador.
O seminário, intitulado "A Região Ásia-Pacífico no Limiar do Século XXI", reúne em Macau mais de uma dezena de académicos locais, de Portugal, Hong Kong, Singapura e Estados Unidos.
O programa do seminário prevê sessões de trabalho sobre "Globalização, Geopolítica e segurança Regional"; "Afirmações nacionais e Regionais na Ásia-Pacífico", "Política Americana para a Região Ásia-Pacífico" e "Conflitos Inter-fronteiriços e Disputas sobre Ilhas do Mar do Sul da China".
Entre os participantes no seminário contam-se o ex-secretário de estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, José Lamego; o ex-secretário-adjunto do governo de Macau para a Segurança, Lajes Ribeiro e o adjunto do presidente do Supremo Tribunal Administrativo, Roque Martins.
Derek da Cunha, investigador do Instituto de Estudos Asiáticos de Singapura; Virginia Palmer, representante do consulado dos Estados Unidos em Hong Kong e Jianming Shep, professor de Direito da Universidade de St. John s de Nova Iorque, participam também no seminário.
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