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Macau: Jornalista Fernando Lima lança livro sobre Macau

Arquivo Lusa 1999

Macau, 15 Mar (Lusa) - O segundo volume da obra "Macau - As duas transições" deverá ser dado ao prelo e colocado no mercado em  Outubro/Novembro próximos, afirmou hoje em Macau o seu autor e jornalista Fernando Lima.

"O 2/o volume está praticamente pronto faltando apenas ultimar um capítulo. Gostaria de vê-lo nas livrarias antes da passagem da  administração de Macau para a China", afirmou o seu autor e director de informação da antiga agência noticiosa portuguesa ANOP e jornalista do Jornal de Notícias.

Sendo que este 2/o volume se concentra quase que em exclusivo nas negociações da Declaração Conjunta entre a República Popular da China e Portugal, Fernando Lima está já a organizar a documentação que reuniu ao longo de vários anos para preparar o terceiro e último volume desta obra que se centrará no período de transição, e que deverá estar disponível no princípio do ano 2000.

"Este volume representa dois anos e meio de trabalho passados na Torre do Tombo e no Arquivo Diplomático do Ministério dos Negócios  Estrangeiros fazendo pesquisa documental. Falei com muitos dos intervenientes no processo, consultei muitas outras fontes escritas,  nomeadamente a imprensa", disse Fernando Lima que hoje em Macau, perante uma audiência que congregou algumas das mais importantes figuras do território, apresentou esta obra de 640 páginas.

"Macau - As duas transições", como lhe chama Fernando Lima, tem a ver, nas palavras do autor, com a revolução do 25 de Abril (a primeira) que veio permitir a de Macau (a segunda) que irá ter lugar a 20 de Dezembro próximo. Refira-se que este primeiro volume cobre um período temporal que vai da II Guerra Mundial à visita de Estado que o Presidente da República, general Ramalho Eanes, efectuou em Maio  de 1995 à República Popular da China.

No decurso da cerimónia realizada no Centro UNESCO de Macau, Fernando Lima recordou um pormenor curioso. Quando em 1974 disse a amigos seus que ia seguir para Macau, recebeu como resposta que ia apenas perder a fase mais importante da revolução do 25 de Abril, em todos os seus aspectos - políticos, sociais e económicos.

Mas como já tinha dado a sua palavra, não podia voltar atrás.

Durante dois anos permaneceu em Macau onde foi director do Centro de Informação e Turismo. "Estava-se, na altura, no auge do conflito  sino-soviético. E foi precisamente em Macau que tive hipótese de conhecer inúmeros observadores dos assuntos chineses e perceber que a  questão de Macau tinha mais implicações políticas do que a dimensão do território poderia sugerir", recordou o autor.

Regressado a Lisboa sempre procurou acompanhar de perto a situação de Macau tendo estado, na sua qualidade de assessor do antigo primeiro-ministro Cavaco Silva, em posição para poder ser como que "observador privilegiado" de acontecimentos históricos que  culminaram no lançamento hoje, deste primeiro volume, e a prazo dos dois que se lhe seguirão.

Este livro do jornalista Fernando Lima é uma edição da Fundação Macau.

Quinze capítulos, antecedidos de uma introdução e seguidos de cronologia, bibliografia e documentos, esta obra de Fernando Lima recorda as críticas que Moscovo endereçou a Pequim por permitir que Macau continuasse sob administração dos portugueses, mas recorda  igualmente as declarações de altos responsáveis chineses que, quando Lisboa sugeriu a devolução imediata do território, afirmaram que as condições "não estavam ainda maduras".

O papel de Ho Yin, falecido dirigente da comunidade chinesa de Macau, é salientado, nomeadamente quando este, imediatamente após a aprovação do Estatuto Orgânico de Macau, valoriza as vantagens que este documento trazia para o território.

As relações com Taiwan (recorde-se que o regime de Salazar reconhecia o Partido Nacionalista de Chaing Kai Shek como o  legítimo representante de toda a China) e, numa fase mais recente, a dissolução da Assembleia Legislativa, quando era governador o contra-almirante Almeida e Costa, são assuntos que merecem toda a atenção do autor que culmina este primeiro volume com a viagem de Estado do Presidente da República, general Ramalho Eanes, à China onde o futuro de Macau foi decidido.

Lusa/Fim