Macau: Futuro governo deverá continuar a apoiar encontro das comunidades
Arquivo Lusa 1999
Macau, 11 Mar (Lusa) - O presidente da comissão organizadora do III Encontro das Comunidades Macaenses, José Maneiras, mostrou-se hoje esperançado em que o governo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) continue a apoiar estes encontros que, disse, "ligam Macau aos seus filhos espalhados pelo Mundo".
No decurso de uma conferência de imprensa, hoje realizada, para divulgação do programa do encontro, cuja abertura solene, a 22 de Março, contará com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, aquele responsável explicou serem estes encontros extremamente importantes, dado, excluído o seu simbolismo, serem muitas vezes uma forma de os macaenses radicados em outros países conhecerem a actual realidade do território.
"Há macaenses que abandonaram Macau em momentos de crise, nomeadamente a seguir à II Guerra Mundial e por ocasião do chamado "um, dois, três", altura em que Macau esteve para ser invadido por guardas vermelhos, e que do território guardaram imagens que já não correspondem à realidade. Como que ficaram parados no tempo. Por isso, é importante que eles venham ver com os seus próprios olhos uma comunidade onde convivem em harmonia diversas povos de culturas distintas", disse José Maneiras.
Adiantou que, por vezes, há famílias de macaenses que acabam por se reunir em Macau dado os seus membros terem optado por países diferentes. "Pretendemos, com estes encontros, deixar raízes bem fundas para que os mesmos se continuem a realizar", frisou.
"Estou convencido de que vai haver um IV Encontro, a ter lugar em Macau. Estamos convictos de que os macaenses vão continuar a olhar para Macau como a sua terra, mesmo após a passagem da sua administração para a China", disse José Maneiras.
Para este III Encontro está já confirmada a participação de 1.300 delegados em representação de 12 Casas de Macau espalhadas por países como Portugal, Canadá, Estados Unidos e Brasil sendo que deste último não virão todos os que manifestaram essa intenção devido à situação de crise em que se encontra a moeda brasileira.
Um dia antes da abertura solene deste III Encontro terá lugar uma reunião dos responsáveis das Casas de Macau com os membros da Comissão Organizadora, havendo ainda um "briefing" sobre Macau coordenado pelo secretário-adjunto para a Administração, Educação e Juventude, Jorge Rangel, a que se seguirá o lançamento do livro "Macau di nos sa coraçam", em edição da Fundação Oriente.
Além da apresentação de cumprimentos ao governador, general Rocha Vieira, e ao presidente do Leal Senado e de diversas recepções oferecidas por algumas das forças vivas do território, o programa inclui o lançamento de três obras literárias dedicadas à diáspora macaense, uma procissão das ruínas de São Paulo até à Sé Catedral, seguida de missa e consagração de população de Macau.
O ponto alto do encontro, tal como foi definido por José Maneiras, será a Festa Macaense, este ano sob o tema "Nostalgia".
As três obras literárias mencionadas são "Os Portugueses no Extremo Oriente", da equipa de historiadores dirigida pelo professor Oliveira Marques, "Os portugueses em Hong Kong", do jornalista Luís Sá, e "Macau, Artistas Plásticos - Século XX", de Margarida Marques Matias, todos em edição da Fundação Oriente.
Relativamente aos custos da organização deste III Encontro, José Maneiras disse que o orçamento é de seis milhões de patacas, com a administração a ter avançado com 50 por cento e a Fundação Oriente e Sociedade de Turismo e Diversões de Macau a terem contribuído, em conjunto, com um milhão. A diferença para o total foi garantida por diversas instituições públicas e privadas.
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