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Macau estuda imposto turístico

epa05292743 Tourists read a map in front of Saint Paul's ruins in the historic center of the city in Macau, China, 06 May 2016 (issued 07 May 2016). The ruins dates back to the 16th century and were listed in 2005 as part of the Historic Centre of Macau, a UNESCO World Heritage Site. Macau, once a popular destination for mainland gamblers, launched in April an ambitious five-year plan to increase tourism revenues and to reduce the economy’s reliance on gaming.  EPA/JEROME FAVRE

A diretora do Turismo de Macau admite um imposto turístico e assume a grande aposta de evitar a dependência do setor em relação ao jogo. “Estamos a fazer um estudo de comparação em termos das taxas que estão a ser impostas, por exemplo, por Veneza, (…) e pelo Japão”, afirmou Helena de Senna Fernandes.

“Não tem uma data [de conclusão], mas não queremos arrastar por muito tempo, porque também queremos apresentar este estudo para que possa ser contemplado em mais pormenor”, adiantou a responsável pela Direção dos Serviços de Turismo (DST) de Macau, território de 30 quilómetros quadrados que em 2018 registou 35 milhões de turistas.

“Estamos a fazer uma comparação e um tipo de pesquisa: porque foram lançados e qual o resultado”, esclareceu a diretora.

“Sem fazermos estes estudos não podemos dizer no que vai resultar”, acrescentou.

Sobre a hipótese de ser estabelecido um limite de visitantes, uma ideia que tem sido ciclicamente discutida em Macau dada a pressão turística, Helena de Senna Fernandes sustentou que “em termos práticos, vai haver sempre dificuldades”.

“Quem é que pode entrar e quem não pode entrar? Como é que vamos fazer esta distinção entre as pessoas sem fazer muita discriminação? Tem que haver um pensamento mais profundo sobre ambos os casos”, concluiu.

O turismo da região cresceu 211% entre 1999 e 2018, passando de 11,5 para 35,8 milhões de pessoas, segundo as autoridades.

Os chineses constituem a esmagadora maioria dos 35 milhões de turistas que visitaram Macau em 2018.

 

Ganhar mercado internacional e ser conhecido além do jogo

 

O território quer conquistar mercado turístico internacional, nomeadamente europeu, apostar na qualificação e ser um território conhecido para além da indústria do jogo.

“Nós não queremos que Macau, no futuro, seja mencionado só pela indústria do jogo", admitiu Helena de Senna Fernandes em entrevista à Lusa. Mas "esse não é um caminho fácil", acrescentou.

“Em termos de Governo, queremos ver outras indústrias a crescer, utilizando a indústria do jogo (..), tais como convenções, indústrias criativas e a indústria da gastronomia, que estamos a desenvolver muito”, explicou.

Contudo, a responsável da Direção dos Serviços de Turismo (DST) de Macau defendeu que “é importante continuar a investir nos mercados europeus, asiáticos e americanos (…) e ter visão mais alargada do que (…) os destinos vizinhos. E para isso é importante o mercado europeu”.

“A nossa ligação à Europa é importante porque foi [com] esta nossa ligação, sobretudo com Portugal, que se conseguiu o Macau de hoje. Sem esta ligação não podíamos ter este património mundial”, frisou.

“Não quer dizer que vamos transformar de repente Macau num destino completamente internacional porque para ser destino internacional temos ainda que lutar mais e há muitas coisas para fazer”, ressalvou Helena de Senna Fernandes.

Sobre a qualificação de profissionais na área do turismo, num território que cresceu 211% entre 1999 e 2018, passando de 11,5 para 35,8 milhões de turistas, a diretora do DST admitiu a existência de desafios a superar, mas sublinhou que as autoridades estão atentas.

“Eu sei que da parte da nossa indústria já se está a dizer que há carência em várias áreas e estamos a discutir a melhor forma de formar (…) as pessoas locais”, afirmou.

Por outro lado, “existindo essas carências” é preciso analisar, considerou a responsável. “Se não é possível encontrar essas pessoas em Macau, como é que podemos encontrar pessoas qualificadas”.

O tratamento de dados turísticos é outra das prioridades da Região Administrativa Especial de Macau: “o turismo inteligente faz parte do grande projeto do Governo da RAEM da cidade inteligente”, afirmou.

“Estamos a apostar mais, numa primeira fase, em como podemos fazer uma previsão de turistas que vão para diferentes áreas de Macau”, sustentou.

Por isso, o DST vai “lançar já, agora no primeiro trimestre, um ‘website’ que vai dar informações aos turistas sobre a previsão dos turistas nas próximas quatro horas, 24 horas e próximos sete dias, para que as pessoas possam planear melhor as suas viagens e evitar também os fluxos maiores e contração maior e turistas”, acrescentou.

“O ‘website’ vai dar informação sobre 20 atrações turísticas de Macau. Já testámos no Ano Novo chinês, os resultados foram bastante positivos”, adiantou, referindo-se ao teste de lançamento de três projetos, previstos para este ano, em parceria com grupo Alibaba, na área do turismo: plataforma de trocas de dados do turismo, aplicação de observação dos visitantes e aplicação do fluxo de visitantes.

A monitorização é feita em várias áreas, como na saída e entrada dos postos fronteiriços e em 20 locais turísticos.

Os chineses constituem a esmagadora maioria dos 35,8 milhões de turistas que visitaram Macau em 2018.

 

Maior ponte do mundo mais próxima

 

A maior travessia marítima do mundo pode ligar diretamente, no futuro, Macau a várias atrações de Hong Kong, como a Disneylândia, e ao aeroporto do território vizinho. “Este é um dos planos, desde o início”, enfatizou Helena de Senna Fernandes, referindo-se à possibilidade de tanto os habitantes de Macau, como visitantes, terem uma ligação direta ao aeroporto de Honk Kong, num momento em que esta viagem exige dois controlos fronteiriços, para além do aeroportuário.

“É possível, mas não é assim tão fácil. (..) No futuro, (..) acho que vai haver essa possibilidade de ter uma melhor maneira de utilizar a ponte para interligar o aeroporto de Hong Kong e Macau. E, se calhar, não só: se calhar podemos utilizar a ponte para nos ligarmos, por exemplo, à ‘Disney’ e outras atrações na zona de Hong Kong”, adiantou a responsável pela Direção dos Serviços de Turismo (DST).

“Neste momento existem alguns constrangimentos em termos na livre circulação de pessoas” na Grande Baía, salientou, referindo-se ao projeto de criação de uma metrópole mundial que envolve as regiões administrativas especiais chinesas de Hong Kong, Macau e nove cidades [Cantão, Dongguan, Foshan, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai] da província de Guangdong, no sul da China.

No total, nesta região habitam cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

“Ainda existem vistos que as pessoas têm que tirar. Não é assim tão linear ainda para [se] ter uma viagem facilitada, mas acho que é um objetivo para o futuro, (…) ter uma ligação mais facilitada para os nossos visitantes e para quem vive em Macau”, sustentou.

O turismo em Macau cresceu 211% entre 1999 e 2018, passando de 11,5 para 35,8 milhões de pessoas, segundo as autoridades.

Os chineses constituem a esmagadora maioria dos 35,8 milhões de turistas que visitaram Macau em 2018.

João Carreira