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Macau/99: Devolução agudiza relações China-Taiwan e coloca desafio aos EUA

+++ Por José Pestana, da agência Lusa +++

Washington, 20 Dez (Lusa) - A transferência da administração de Macau para a China vai resultar num aumento de tensões entre a China e Taiwan e, consequentemente, em novos desafios para as relações entre Washington e Pequim, prevêem analistas e fontes diplomáticas norte-americanas.

Com efeito, diplomatas americanos fizeram notar a cobertura detalhada e "patriótica" dada pelos meios de informação chineses, que fizeram de Macau um símbolo "do segundo acto da trilogia da  reunificação do país".

O próprio presidente chinês, Jiang Zemin, disse que com a devolução Macau o problema de Taiwan assumirá agora um carácter "urgente" e defendeu o principio de "um país, dois sistemas" usado com Hong Kong e Macau para resolver a questão de Taiwan.

O vice-presidente de Taiwan, Lien Chen, rejeitou de imediato a proposta, afirmando que "um país, dois sistemas" é um principio usado para governar antigas colónias, algo que não se aplica a Taiwan.

Para a diplomacia americana, o desafio vai ser continuar a aplicar a sua politica de "uma China", que reconhece apenas a existência do governo de Pequim, e ao mesmo tempo continuar a assumir  as suas obrigações assumidas publicamente de defender Taiwan em caso de ataque.

"Nenhuma disputa entre os Estados Unidos e a China, incluindo o bombardeamento da embaixada em Belgrado, tem as dificuldades e perigos inerentes ao futuro estatuto politico de Taiwan," disse uma fonte diplomática americana.

A mesma fonte reconhece que, no futuro, os Estados Unidos pouco mais poderão fazer do que tentar conter a crescente rivalidade e troca de insultos entre Taiwan e Beijing.

Em Julho, o Presidente de Taiwan, Lee Teng-hui, apanhou a comunidade internacional de surpresa quando exigiu que a China reconhecesse Taiwan como um estado soberano, provocando ameaças de uso da força da China.

Os Estados Unidos reagiram reafirmando a sua politica de "uma China" e descrevendo as declarações de Lee como "pouco úteis".

O problema é que, embora as ameaças de Beijing tenham servido para acalmar a retórica de Taiwan, existem receios na diplomacia americana de que Taiwan siga cada vez mais uma via independentista numa altura em a China vê a reunificação como uma das suas prioridades.

Para a diplomacia americana, o problema é agudizado por crescentes pressões internas da ala direita do congresso, que critica a política americana de "uma China" como "anacrónica e inspirada por Pequim".

Alguns congressistas, como o conservador Jesse Helms, deram já os primeiros passos no processo legislativo para fazer aprovar uma lei fortalecendo os laços militares entre os Estados Unidos e Taiwan, autorizando Taiwan a comprar armamento dos mais sofisticado aos Estados Unidos, incluindo sistemas de defesa anti-missal.

Diplomatas americanos fazem notar que a entrada da China na Organização Mundial do Comércio e as crescentes ligaçoes comerciais entre Pequim e Washington servirão para refrear qualquer possível agressividade chinesa em relação a Taiwan.

Mas, de momento, com uma politica ambígua, "o melhor que os Estados Unidos podem fazer é tentar apagar fogos sem ter uma solução para o problema", disse Bruce Dickson, perito em questões asiáticas na Universidade George Washington.

Lusa/Fim