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Macau deve continuar a servir de ponte entre Oriente e Ocidente

Arquivo Lusa 1999

Macau, 12 Mar (Lusa) - Macau contribuiu de forma significativa para a aproximação entre a China e o resto do mundo não havendo qualquer razão para que não continue, de futuro, a desempenhar esse papel, afirmou hoje Fok Kai Cheong da Universidade de Macau (UM).

Ao usar da palavra na abertura da conferência internacional "Macau e a rota marítima da seda", Fok Kai Cheong, natural do território e professor catedrático da UM, referiu que, no próximo milénio, Macau poderá continuar a desempenhar o papel que representou desde a chegada dos navegadores portugueses.

"Macau ajudou na aproximação do Oriente ao Ocidente em termos de comércio e cultura não havendo qualquer razão para que sob o governo da futura RAEM e ao abrigo da política Um país, dois sistemas" não continue a desempenhar esse papel", frisou o académico.

Mencionando a capacidades das gentes de Macau em se expressar em mais do que uma língua, muito particularmente os três por cento da população que são fluentes em português, o professor disse que o território pode tornar-se num centro onde todos aqueles que pretendam viver ou realizar negócios na China podem aprender o mandarim.

"Da mesma forma, todos os chineses do continente e de Taiwan que pretendam aprender línguas europeias podem fazê-lo localmente".

"Além disso, as pessoas que trabalham na actual administração portuguesa adquiriram uma certa familiaridade com as regras e regulamentos administrativos, comerciais e legais do continente europeu estando, por isso, numa posição excelente para promover o  aumento dos fluxos económicos entre a União Europeia e a China e Taiwan", acentuou.

Para o mesmo catedrático, Macau deve exceder-se na prestação de serviços tais como consultoria e promoção de investimentos, formação linguística, serviços de tradução bem como todos os relacionados com a actividade turística.

Manifestando a sua convicção de que Macau pretende levar a cabo a sua futura missão, Fok Kai Cheong disse que para que o território possa representar uma ponte entre duas culturas é preciso que haja um forte apoio de ambos os lados. "É preciso que a União Europeia, China e Taiwan estejam interessados em desempenhar a sua parte".

Disse ainda que aquilo que designa por "Fórmula de Macau", cuja paternidade reivindica, pode continuar a ser aplicada em Macau.

"Uma política chinesa acomodatícia e benevolente associada ao respeito português pelas estruturas políticas na China conduziu no passado a benefícios mútuos".

"Benefícios mútuos, tolerância mútua e respeito mútuo", assim definiu o professor a chave do êxito de Macau, enquanto território de cruzamento de raças e culturas.

"A herança cultural única de Macau é prova de que uma sociedade heterogénea pode viver e prosperar e de que é possível procurar objectivos comuns entre uma diversidade étnica", adiantou.

Hoje à tarde iniciou-se o trabalho em grupo (dois em mandarim e o restante em inglês) indo os participantes apreciar cerca de 80 comunicações, cuja extensão individual não tem limites embora a sua apresentação não possa exceder 15 minutos.

No próximo domingo, realiza-se a cerimónia de encerramento do congresso internacional com as intervenções de Fok Kai Cheong e Gary  Ngai, director-executivo da Fundação Sino-Latina de Macau, uma das entidades patrocinadoras.

São ainda patrocinadores a Fundação Macau, o Centro UNESCO de Macau e o Centro de Estudos da Rota Marítima da Seda de Macau.

Enquadrada nesta conferência internacional, encontra-se desde hoje patente ao público, no Centro UNESCO, uma exposição fotográfica subordinada ao mesmo tema.

Lusa/Fim