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Macau: Aberta última igreja sob Administração portuguesa

Arquivo Lusa 1999

Macau, 30 Abr (Lusa) - Macau dispõe a partir de hoje de mais uma igreja católica, a última construída sob Administração portuguesa e que  está situada na região Norte da cidade, onde se concentra a maioria da população do território.

Na primeira visita ao templo católico, que será orientado por três missionários combonianos, o bispo de Macau, D. Domingos Lam, disse que o edifício, projectado pelo arquitecto Pieiro Nagy, custou cerca de 25 milhões de patacas (575 mil contos) e que o terreno foi cedido pela  Administração.

Do interior da Igreja, projectada segundo as orientações do Concílio Vaticano II, Pieiro Nagy destaca o altar ao centro, numa posição mais elevada, já que é ali "que se renova o sacrifício da paixão, morte e ressurreição de Cristo", e do lado esquerdo o ambão, de aspecto pesado, onde se "proclama a palavra de Deus".

A parede atrás do altar já não foi desenhada em nave ao "estilo da basílica romana", mas sim mais "próximo do octógono, em que a parte  central é a mesa da celebração eucarística", disse.

Para Pieiro Nagy, que tem dedicado parte da sua carreira a trabalhos do género, "construir uma Igreja é também um acto de fé".

Um folheto de divulgação do novo templo junto da população refere que "a forma do edifício, com a fachada virada para a China, assemelha-se a dois braços abertos como que numa atitude de acolhimento para com a multidão de chineses para que venham, encontrem e conheçam Cristo".

O mesmo folheto refere também que a Igreja foi construída para estender a "acção pastoral e actividade evangelizadora à zona do Iao Hon (norte da cidade), onde a maioria dos residentes são trabalhadores chineses".

Além das figuras de São José, Maria e Jesus no lado direito do altar, a nova Igreja possui nas paredes do corredor central 14 óleos do italiano Giusseppe Francavilla que representam toda a história da salvação.

Com um valor de 50.000 patacas cada, D. Domingos Lam pretende que os quadros sejam simbolicamente adquiridos por particulares ou empresas. O edifício da Igreja, de dois pisos, dispõe ainda de um espaço residencial para os três padres, área reservada aos sacerdotes, salas de trabalho, salas para catequese e salão polivalente.

Durante a visita que hoje efectuou à Igreja, o governador Rocha Vieira revelou que vai oferecer para consulta no templo uma colecção com cerca de 200 livros sobre Macau.

Também hoje, na abertura da Igreja ao público, o candidato a chefe do Executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau,  Edmund Ho Hau Wah, ouviu atentamente as explicações de D. Domingos Lam e apreciou as obras de Francavilla, além do trabalho de Pieiro Nagy.

Antes de abandonar o templo, Edmundo Ho encontrou-se ainda com o governador Rocha Vieira, com que trocou algumas palavras.

Na tarde de sábado, o bispo de Macau celebra uma eucaristia de consagração da Igreja.

Lusa/Fim