Macau: A herança de liberdade e tolerância de 200 anos de jornalismo
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 23 Jun (Lusa) - Portugal levou a tecnologia e deixou a liberdade, a tolerância e o pluralismo. É este o legado de 200 anos de jornalismo em Macau que estará patente a partir de hoje em Lisboa, com títulos inéditos e centenas de artigos.
Trata-se de uma mostra organizada pela Missão de Macau em Lisboa, o Instituto Cultural de Macau e o gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau e que retrata os 200 anos de jornalismo no território cujo exercício de soberania, a 20 de Dezembro, será transferido para a China.
Patente na Torre do Tombo até 15 de Setembro, a exposição revela dezenas de títulos inéditos - a começar pela primeira publicação, a Abelha da China, em Setembro de 1822 -, passando revista aos artigos publicados nos órgãos de comunicação social portugueses e chineses nos momentos considerados mais significativos.
É o caso da implantação da República em Portugal (1910) e na China (1911), a primeira e segunda guerras mundiais e o conflito no Pacífico, as visitas de "ilustres" visitantes ao território e o cinema em Macau, num conjunto de oito temas seleccionados que a vastidão obrigou a dividir em 90 subtemas.
Curiosa é a comparação feita entre o tratamento da informação na imprensa portuguesa e chinesa, em especial nos anos da ditadura em Portugal. A censura chegava, evidentemente, aos órgãos chineses, mas a dificuldade da língua não permitia que o "filtro" fosse tão apertado.
Esta é uma das "alas" da exposição, que será inaugurada pelo presidente da República, salientadas à Agência Lusa por Afonso Camões, director do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau.
A menos de seis meses da transferência do exercício da soberania de Portugal para a China, a questão coloca-se em torno da permanência do jornalismo português em Macau, mas o facto não preocupa Afonso Camões.
Manifestando-se optimista em relação à presença dos órgãos de comunicação social portugueses no território, embora de forma moderada tendo em conta que a presença portuguesa no território determinará este factor, o responsável salientou a importância da continuidade da liberdade de expressão.
"O futuro da liberdade da imprensa depende daqueles que já a exercem hoje", afirmou, citando o presidente do Clube de Jornalistas de Macau num dos artigos publicados no catálogo da exposição.
Da actual realidade de três jornais diários, dois semanários e um canal de televisão e outro de rádio portugueses, prevê-se a permanência de um diário e dos dois canais.
Os diários Macau Hoje, Futuro de Macau e Jornal Tribuna de Macau, e os semanários Ponto Final e O Clarim, o mais antigo jornal português no território no activo e propriedade da diocese, são ainda hoje a imprensa portuguesa existente.
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