icon-ham
haitong

Macau/99: Vice-PM chinês apoia inclusão de portugueses no Comité de Selecção

Arquivo Lusa 1999

Pequim, 01 Mar (Lusa) - A China apoiou hoje a inclusão de portugueses no Comité de 200 membros que vai escolher o chefe do primeiro governo chinês de Macau, defendendo um colégio eleitoral "largamente representativo".

"Sempre defendemos que o Comité de Selecção deve incluir pessoas de todos os estratos sociais, incluindo os residentes de Macau de ascendência estrangeira e os que ainda não decidiram a sua nacionalidade", disse o vice -primeiro-ministro chinês Qian Qichen.

Recorrendo a uma famosa metáfora chinesa, utilizada habitualmente como sinonimo de larga abrangência, Qian Qichen disse que o Comité de Selecção deve envolver "cinco lagos e quatro mares" ("Wu Hu Si Hai").

Qian Qichen falava na abertura da 6/a reunião plenária da Comissão Preparatória da futura RAEM (Região Administrativa Especial de Macau), que decorre até terça-feira em Pequim, e cuja agenda é dominada pela formação do referido Comité.

Cerca de 2.300 residentes de Macau, entre os quais 84 portugueses, candidataram-se a um dos lugares do Comité, num processo descrito por Qian Qichen como "histórico" e "verdadeiramente democrático".

"Pela primeira vez na História, os residentes de Macau participam na escolha do chefe-executivo do governo", disse Qian Qichen, que é também membro do Politburo do Partido Comunista Chinês e presidente da Comissão Preparatória da RAEM.

Uma primeira lista, com apenas 260 nomes, será apurada terça-feira, por voto secreto, e no próximo plenário da Comissão Preparatória da RAEM, já em Abril, o Comité de Selecção ficará definitivamente constituído, disse à agência Lusa uma fonte da Comissão.

A selecção do chefe-executivo de Macau, que será obrigatoriamente um cidadão chinês, residente no território há pelo menos 20 anos consecutivos, está prevista para o final de Maio ou início de Junho.

Qian Qichen afirmou também que a China "continuará a seguir o espírito da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa sobre a Questão de Macau", assinada em 1987, e congratulou-se com o acordo alcançado no Grupo de Ligação luso-chinês sobre o local onde vão decorrer as cerimónias de transferência de poderes.

"Isso é um acontecimento agradável", disse Qian Qichen acerca do acordo.

Qian Qichen reafirmou, por outro lado, que Taiwan é "parte inalienável da China" e exortou as autoridades de Taipé a "acompanhar a tendência para a reunificação".

"Toda a nação chinesa quer a reunificação e a prosperidade da Pátria, é uma tendência histórica irreversível", acrescentou.

Taiwan, ilha onde se refugiou o governo de Chiang Kai-shek após a tomada do poder pelo partido comunista, em 1949, e que continua a usar o nome de "Republica da China", é vista por Pequim como uma "província renegada" da Republica Popular da China.

Macau, primeiro e último enclave ocidental na China, passará para a administração chinesa a 20 de Dezembro próximo, com o mesmo estatuto de Hong Kong (Região Administrativa Especial) e também segundo a formula "um país, dois sistemas".

Lusa/Fim