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Macau/99: Sistema social e estilo de vida “não mudarão”, garante China

Arquivo Lusa 1999

Pequim, 09 Abr (Lusa) - A China procurou hoje tranquilizar Portugal quanto ao futuro de Macau, garantindo que o sistema social e o estilo de vida do território "não mudarão" após a sua transferência para a administração chinesa em 20 de Dezembro.

"Tenho a impressão de que a principal preocupação de Portugal é saber se Macau manterá as suas características e se a influência portuguesa continuará ou não", disse o vice-primeiro-ministro chinês,  Qian Qichen.

"Penso que as duas partes devem preocupar-se sobretudo em assegurar uma suave transferência de poderes e abrir um novo capítulo nas relações sino-portuguesas", acrescentou.

Qian Qichen falava no Grande Palácio do Povo, em Pequim, na abertura da sétima reunião plenária da Comissão Preparatória do futuro governo de Macau.

Recordando o "amigável e construtivo" encontro que teve em Março em Macau com o presidente português, Jorge Sampaio, Qian Qichen sublinhou ter reafirmado que o governo chinês aplicará a política de "um país, dois sistemas".

"Não haverá mudança no sistema social e no estilo de vida de Macau, e as leis permanecerão basicamente inalteradas. Reafirmei isso ao presidente português", indicou Qian Qichen.

O vice-primeiro-ministro chinês referiu também que o "objectivo" da sua visita a Macau foi "ajudar a resolver algumas questões o mais depressa possível", mas não indicou quais eram essas "questões".

"De um modo geral, a cooperação sino-portuguesa em Macau tem sido boa, mas é preciso aproveitar bem o tempo que resta para resolver as questões ainda pendentes", afirmou.

Qian Qichen é também membro do Politburo do Partido Comunista Chinês, a cúpula do poder na China, e presidente da Comissão Preparatória da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), um organismo criado há um ano pela Assembleia Nacional Popular chinesa.

Sessenta dos cem membros daquela Comissão, entre os quais quatro portugueses, são residentes de Macau.

No sábado, a Comissão Preparatória da RAEM votará a composição do Comité de Selecção que até ao final de Maio ou início de Junho irá escolher o chefe-executivo do primeiro governo chinês de Macau.

Os duzentos elementos do Comité de Selecção, todos residentes de Macau, serão escolhidos por voto secreto, com base numa lista de 283 nomes.

Lusa/Fim