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Macau/99: Revista de imprensa alemã

Arquivo Lusa 1999 

Berlim, 20 Dez (Lusa) - A imprensa alemã dedica hoje apreciável espaço à transferência de Macau para a China, mas alguns comentários são pouco lisonjeiros para Portugal.

Num artigo intitulado "Para As Pessoas vai Mudar Pouco", o Frankfurter Allgemeine, matutino de referência, escreve que com a entrega de Macau à China "desaparece um dos últimos resquícios do colonialismo na Ásia, um anacronismo sem paralelo".

No entanto, acrescenta o autor da peça, "internacionalmente, Macau é demasiado pouco importante e, sobretudo não mudará nada, o que é decisivo para as pessoas".

Mais adiante, afirma que "todos sabem que Pequim já dirige a sua antiga colónia desde princípios dos anos 70 e a liberdade de opinião há muito tempo que é dominada pela auto-censura, portanto, o que é que muda agora?".

"Além disso, a administração portuguesa, foi sempre medida pelo desenvolvimento em Hong-Kong e era considerada pouco eficiente e bastante corrupta. Por isso, os chineses de Macau não choram a partida dos portugueses", acrescenta o jornalista do Frankfurter Allgemeine.

Em comentário sobre o mesmo tema intitulado "Á Meia-Noite a Libertação do Colonialismo", o Tagesspiegel põe a tónica no facto de, após a entrega de Macau, o interesse de Pequim se centrar agora em Taipé.

"O verdadeiro objectivo de Jiang Zemin é Taipé. Após a entrega de Hong-Kong,...Macau é para Pequim mais um passo em direcção à reunificação", diz o jornal de Berlim.

No entanto, adverte o mesmo comentador, "ninguém imagina que nos próximos tempos possa haver em Taipé uma mudança de bandeira tão pacífica como em Macau".

Numa reportagem do seu enviado especial, Die Welt lembra que, para os poucos milhares de portugueses que ficaram em Macau, o dia da transferência foi "um dia triste".

Uma das pessoas entrevistadas diz recear pela liberdade de imprensa no território.

O repórter de Die Welt lembra também que as manchetes dos jornais foram dominadas pela detenção e expulsão de membros da seita Falun Gong, proíbida na China.

O Sueddeutsche Zeitung, outro jornal de referência, sob o título "China vai buscar a sua filha mais pobre", diz que a União Europeia espera que Macau seja agora uma importante testa de ponte  para a China.

"Ao contrário do que sucedia com Hong-Kong, economicamente Macau só é conhecida por ser o maior casino da Ásia", acrescenta o jornal de Munique.

O Tageszeitung, matutino da esquerda revolucionária, num artigo intitulado "A Despedida dos Colonialistas", afirma que a entrega de Macau à China "não terá consequências dramáticas".

"Só a seita Falun Gong provocou alguma agitação". O enviado especial da televisão pública alemã (ARD) a Macau, no telejornal da noite, o mais visto do país, afirmou que a grande maioria da população concorda com a devolução do território à China, "embora não tenham sido consultados, o que em Taipé não será possível, porque existe uma democracia".

Lusa/Fim