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Macau/99: Quinze portugueses participarão na escolha do chefe do primeiro governo chinês

Arquivo Lusa 1999

Pequim, 10 Abr (Lusa) - Quinze cidadãos portugueses integram o Comité de Selecção de duzentos elementos que vai escolher o chefe do primeiro governo chinês de Macau, na segunda quinzena de Maio.

A composição do Comité foi votada hoje no Grande Palácio do Povo, em Pequim, por noventa e três dos cem membros da Comissão da Assembleia Nacional Popular chinesa que desde há um ano está a  preparar o futuro governo de Macau.

O Comité de Selecção é inteiramente constituído por residentes de Macau, entre os quais os quinze actuais delegados do território aos órgãos do poder central chinês em Pequim (Assembleia Nacional  Popular e Conferência Politica Consultiva do Povo Chinês).

Os restantes elementos do Comité foram escolhidos, por voto secreto, a partir de uma lista de 283 nomes apurada pela Comissão Preparatória da futura Região Administração Especial de Macau (RAEM).

Num comunicado difundido após a votação, aquela Comissão Preparatória qualificou a formação do Comité de Selecção como "um grande acontecimento" e exortou os seus elementos a "estar à altura  dos desejos da população de Macau e dos interesses do Estado".

Os quatro únicos portugueses que fazem parte da Comissão Preparatória da RAEM (Leonel Alves, Raimundo do Rosário, José Pereira Chan e Philip Xavier) foram eleitos para o Comité de Selecção, assim como os actuais presidentes do Leal Senado e da Câmara das Ilhas (Taipa e Coloane), Sales Marques e Madeira de Carvalho, respectivamente.

Entre os quinze portugueses que vão integrar o Comité Selecção, há apenas um oriundo da Republica, o empregado bancário José Morgado.

Os outros portugueses são Fátima Santos Ferreira, Edite Silva, Carlos Marreiros, Manuel Gonçalves, Rita Santos, Paulina Alves Santos, Paula Ling e Frederico Nolasco da Silva.

O Comité de Selecção vai reunir, pela primeira vez, dia 23 de Abril, em Macau.

As candidaturas ao cargo de chefe-executivo da futura RAEM podem ser apresentadas já a partir de segunda-feira, prevendo-se que o processo esteja concluído na segunda quinzena de Maio.

Macau será integrado na República Popular da China em 20 de Dezembro, com o mesmo estatuto de Hong Kong e também segundo a fórmula "um país, dois sistemas", que permitirá a manutenção do sistema social e do "estilo de vida" existentes no território.

"A escolha do primeiro chefe-executivo da RAEM é o mais importante passo para a aplicação da política "um país, dois sistemas", disse hoje a Comissão Preparatória da RAEM.

O chefe do futuro governo de Macau, que vai ser escolhido pelo Comité de Selecção de 200 elementos criado hoje em Pequim, será, obrigatoriamente, um cidadão chinês com mais de quarenta anos de idade e que viva no território há pelo menos vinte anos consecutivos.

Segundo a "Lei Básica" que vai reger Macau, durante o seu mandato, de cinco anos, ele "não pode ter direito de residência no estrangeiro nem exercer actividade lucrativa privada". O banqueiro Edmundo Ho (He Houhua, em chinês) é considerado o mais forte candidato ao cargo.

Edmundo Ho, 44 anos, formado em gestão numa universidade do Canadá, é também membro do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular chinesa, "o supremo órgão do poder de Estado" na China, e um dos nove vice-presidentes da Comissão Preparatória do futuro governo de Macau.

Logo após a criação daquela Comissão, em Maio de 1998, o jornal oficial chinês de língua inglesa, "China Daily", publicou na primeira pagina uma fotografia do presidente Jiang Zemin a  cumprimentar Edmundo Ho, o que foi interpretado como um sinal da preferência de Pequim.

Fontes da Comissão Preparatória da RAEM prevêem que haverá mais do que um candidato, apesar de Edmundo Ho aparecer como o "favorito".

Cada candidato deverá ser proposto por pelo menos vinte membros do Comité de Selecção.

De acordo com as mesmas fontes, o chefe-executivo da RAEM deverá estar escolhido no dia 16 de Maio, quando a Comissão Preparatória voltar a reunir-se, em Zhuhai, uma zona económica especial  do sul da China, adjacente a Macau.

O nome escolhido será, depois, apresentado ao governo central chinês, que o nomeará oficialmente para o cargo.

Lusa/Fim