Macau/99: PR Jorge Sampaio confiante no futuro do território
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 16 Dez (Lusa) - O Presidente da República considera que "Portugal fecha o ciclo do império com honra e dignidade" pela forma como deixa Macau, lamentando que o mesmo não tenha acontecido nas ex-colónias.
Numa declaração à Agência Lusa, antes de partir hoje para Macau, o Chefe de Estado mostra-se confiante no futuro do território.
"O empenho que pomos em acompanhar, em todas e por todas as instâncias, a evolução e o futuro de Macau, fazem-me olhar com tranquilidade os tempos novos e o seu desafio à perdurabilidade e fecundidade da herança que deixamos", sublinha Jorge Sampaio.
"Macau é hoje um território moderno e aberto ao mundo, com instituições políticas específicas, um direito de matriz portuguesa e uma maneira de viver própria que são resultado, neste final de milénio, da presença secular de Portugal", afirma.
Jorge Sampaio diz estar convicto de que "os macaenses continuarão a desempenhar, de modo muito activo, um papel importante na evolução da sua terra e que será nessa capacidade de integração que residirá a melhor garantia de respeito pelo seu estatuto e pelos direitos que ele comporta".
O Presidente da República assinala depois que "Macau é, e sempre foi, ao longo da sua história, um caso singular" no seio do império colonial português.
"A transição em Macau confirma isso mesmo", sustenta Jorge Sampaio, lamentando que Portugal não sabido preparar a sua saída das províncias ultramarinas.
"Foi mau para todos que essa posição não tivesse prevalecido enquanto existiam condições para fazer uma transição controlada em África", frisa.
"E, no caso de Timor, os erros acumulados levaram a uma tragédia que durou mais de 20 anos", declara o Chefe de Estado.
Depois de reconhecer que à III República "era difícil fazer menos" em Macau do que a ditadura do Estado Novo, o Presidente da República regista "a imprudência do regime autoritário em não ter reconhecido" a China.
Essa posição permitiria "garantir condições mínimas de estabilidade da nossa presença em Macau, refere Sampaio.
"Essa atitude de negligência prolongou-se ao longo de décadas e pagou-se cara, nos incidentes" ocorridos no território em 1966, evoca Jorge Sampaio.
O regime democrático "assumiu todas as suas responsabilidades, políticas e diplomáticas", e as suas autoridades "empenharam-se numa estratégia de desenvolvimento político, económico e social que fez de Macau uma cidade moderna", sublinha o Presidente da República.
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