Macau/99: O capitalismo está para durar, garante a China
Arquivo Lusa 1999
Pequim, 06 Abr (Lusa) - Os capitalistas de Macau podem estar tranquilos: o actual sistema económico não será necessariamente abolido após o prazo de cinquenta anos fixado na futura constituição do território.
"Cinquenta anos é apenas uma maneira de dizer", indicou hoje a agência noticiosa oficial chinesa, citando Deng Xiaoping.
"Não deverá haver nenhuma mudança nos primeiros cinquenta anos e depois desse período, não haverá necessidade de mudar", disse também o "arquitecto-chefe" das reformas chinesas, falecido em Fevereiro de 1997.
Aquela explicação de Deng Xiaoping consta de uma série de artigos de carácter pedagógico que a agência noticiosa oficial chinesa está a difundir sobre a "Lei Básica" da Região Administrativa
Especial de Macau, a mini-constituição que vai reger o território após a sua transferência para a China, em 20 de Dezembro.
De acordo com o artigo cinco da Lei Básica, "Na Região Administrativa Especial de Macau não se aplicam o sistema e as politicas socialistas, mantendo-se inalterados durante cinquenta anos o sistema capitalista e a maneira de viver anteriormente existentes".
O compromisso decorre da fórmula lançada por Deng Xiaoping no início da década de oitenta para a "reunificação pacífica" com Taiwan e que começou a ser aplicada em Hong Kong em Julho de 1997 - "um país, dois sistemas".
Taiwan - a ilha onde se refugiou o governo nacionalista de Chiang Kai-shek após a tomada do poder pelo Partido Comunista, em 1949, e que continua a usar o nome de "República da China" - é considerada por Pequim uma província renegada da República Popular da China.
"Visto globalmente, o princípio "um país, dois sistemas" não deve ser encarado como um simples expediente, mas sim como uma política fundamental, que vai de encontro às necessidades do processo de Reforma e Abertura da China", comentou a agência noticiosa oficial chinesa.
"Enquanto a política de Reforma e Abertura se mantiver, o princípio "um país, dois sistemas" também não será alterado", acrescentou a agência.
A referida política, iniciada há vinte anos, é um dos "pontos principais da linha básica" do PCC e segundo tem dito o secretário-geral do partido e Presidente da República, Jiang Zemin, "deverá permanecer inalterável durante pelo menos cem anos".
"Cem anos" parece, também, uma "maneira de dizer", mas oficialmente, o marxismo-leninismo continua a ser um dos "princípios cardinais" do PCC.
Lusa/Fim