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Maca/99: Macau para ser especial tem de ser diferente no futuro, Jorge Rangel

Arquivo Lusa 1999

Macau, 20 Set (Lusa) - Macau para ser especial no futuro, como região administrativa especial, tem de ser diferente do resto do continente chinês porque possui uma identidade própria, resultado de  séculos de contactos entre duas culturas, disse hoje Jorge Rangel.

Numa entrevista ao programa "Questions and Answers" da CNN, o responsável do governo de Macau pelas cerimónias de transição do território lembrou que "Portugal vai deixar em Macau não só as pedras dos monumentos, calcadas e fortalezas mas também e acima de tudo uma atitude diferente das pessoas e um estilo de vida próprio onde as garantias e as liberdades individuais da população são respeitadas".

Jorge Rangel que tutela as pastas da Administração, Educação e Juventude disse ainda que teve sucesso a politica de localização da administração portuguesa de Macau ao definir a preparação de quadros para o futuro governo como a mais importante prioridade durante o período de transição.

"Quando o Chefe do Executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau necessitou de escolher pessoas para o seu futuro governo foi ao funcionalismo publico e escolheu a maioria deles  formando uma equipa de jovens, motivados, com boas habilitações académicas, membros activos da comunidade e preparados para defender a identidade do território e a sua diferença", acrescentou.

O responsável pelas cerimonias da transferência da administração portuguesa para a China, a 19 de Dezembro, reconheceu que as "tríades" trouxeram problemas a Macau em consequência das lutas entre os vários grupos rivais mas lembrou que existem também "tríades" em Hong Kong, sul da China, Taiwan, Nova Iorque, Tailândia e Amesterdão.

"Fomos claramente afectados pela cobertura noticiosa do crime, em especial por parte da imprensa de Hong Kong. Macau merece ser visto numa perspectiva mais correcta e diferente", disse.

Jorge Rangel recordou que o chefe do executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau, Edmund Ho Hau-wah disse que uma das suas prioridades será "como na actual administração  portuguesa" o combate ao crime mas advertiu para que não se pense" que o crime vai desaparecer so porque muda o governo".

Na sua entrevista a CNN, o membro do governo de Macau garantiu que tudo esta a ser feito "para que a transição seja feita sem sobressaltos de acordo com o estabelecido na declaração conjunta luso-chinesa".

Jorge Rangel, interrogado sobre a intenção de Pequim em estacionar forcas militares em Macau, afirmou: "Ninguém rejeita esse direito mas torna-se necessário saber quando e como e que vai  acontecer pelo que o assunto esta a ser discutido através dos canais competentes de modo a se estabelecer o quadro em que esse objectivo da China posso ser concretizado".

O responsável pelas cerimónias de transferência da administração portuguesa para a China disse ainda que a legislação do território não prevê a pena de morte e que só pode ser aplicada se a  Assembleia Legislativa alterar a legislação vigente.

"Não vejo porque é que a população de Macau pode querer mudar a lei", referiu ainda Jorge Rangel.

Lusa/Fim