Macau/99: Macaenses na Austrália devem participar no futuro de Macau
Arquivo Lusa 1999
Sidnei, 23 Ago (Lusa) - O governador de Macau, Rocha Vieira, exortou no domingo,em Sidnei, a comunidade macaense na Austrália a participar no futuro de Macau e manifestou a sua confiança no primeiro executivo do território após a transição para a China.
"Estamos contentes, optimistas e confiantes com a pessoa que foi escolhida para assumir a responsabilidade de ser a primeira autoridade no território, como chefe do executivo, a partir do dia 20 de Dezembro", disse Rocha Vieira.
O governador referia-se a Edmund Ho Hau Wah, 44 anos, que chefiará o executivo de Macau quando o território for integrado na República Popular da China, em 20 de Dezembro próximo, com o estatuto de região administrativa especial.
Rocha Vieira salientou que Edmund Ho Hau Wah "é um homem que partilha dos valores da democracia pluralista" e manifestou-se confiante que "se empenhará no projecto ambicioso de continuar a fazer com que Macau seja uma terra única".
O governador falava durante um almoço em Sidnei com cerca de 150 elementos da Casa de Macau na Austrália, país que visita até ao dia 28.
Durante a visita, Rocha Vieira assinará um acordo de serviços aéreos entre Macau e a Austrália e terá encontros com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Downer, e com o governador-geral, Patrick Deane.
Alem de Sidnei, Rocha Vieira tem previstas deslocações a Camberra, Melbourne, Alice Springs e Darwin.
Salientando que Portugal continuará ligado a Macau, Rocha Vieira disse aos macaenses residentes na Austrália que devem participar também no futuro do território, nomeadamente contribuindo para a consciencialização das autoridades australianas para o projecto de autonomia de Macau.
"Para o futuro de Macau, é importante que a Austrália continue a ajudar o propósito comum de Portugal e da China de que Macau preserve o seu sistema político próprio, a sua maneira de viver e as suas liberdades", disse.
Rocha Vieira considerou que a comunidade macaense na Austrália se destaca pelo seu número e pelo "peso específico que tem, porque os seus elementos estão bem colocados nos diversos sectores da sociedade australiana".
"Dentro deste contexto, a ligação de Macau à Austrália adquire uma importância acrescida", acrescentou.
Presidida desde 1995 por António Conceição, a Casa de Macau na Austrália foi fundada em 1990 e conta actualmente com cerca de 500 membros, correspondente a cerca de metade dos macaenses residentes no país.
Em declaraçõe à Lusa, António Conceição considerou que o processo de transição de Macau para a China está a "correr bem" e referiu que a Casa de Macau na Austrália enviará uma delegação ao território para assistir às cerimónias da transferência da administração para a China.
"Vamos continuar ligados a Macau (depois de Dezembro) e vamos apoiar o regime novo de Macau", assegurou.
"Tenho a certeza absoluta que nada vai mudar em Macau" depois da transferência para a China, acrescentou António Conceição, que reside na Austrália desde 1972.
Lusa/Fim