Macau/99: IPM é uma das peças “base da autonomia” do território
Arquivo Lusa 1999
Macau, 17 Set (Lusa) - O Instituto Politécnico de Macau (IPM) é uma das peças "base da autonomia" do território, afirmou hoje o governador Rocha Vieira durante a cerimónia de abertura do ano lectivo da instituição.
"Só uma sociedade confiante, bem preparada profissionalmente, aberta aos desafios competitivos saberá afirmar a sua singularidade, sendo útil ao país em que se insere sem perder o que é específico do seu modo de viver e do seu sistema próprio", disse Rocha Vieira.
Para o governador, o IPM tem como missão "ser o principal promotor das condições de concretização das vocações económicas de Macau, produzindo as qualificações profissionais necessárias".
"Ao realizar essa missão, está (o IPM) a consolidar os alicerces da autonomia, está a participar na construção do sistema próprio de Macau", porque "sem recursos humanos próprios e bem preparados, motivados para a formação permanente, o território ficará vulnerável e a sua singularidade ameaçada, perdendo oportunidades que hoje estão associadas às suas vocações económicas e à sua abertura ao exterior", sustentou.
Sobre a importância do IPM na sociedade de Macau, Rocha Vieira recordou que pela instituição de ensino passa e será "valorizada a principal riqueza de Macau, os seus recursos humanos".
É no instituto que "está a chave do desenvolvimento económico, da melhoria do nível de vida, da realização das vocações económicas de Macau", disse.
Rocha Vieira sustentou também que, "de todos os factores que influenciam o ritmo de modernização de uma economia, a qualidade do seu sistema de ensino e a sua generalização a toda a sociedade é, sem dúvida, o mais importante".
Durante a cerimónia de abertura oficial do ano lectivo do IPM, na qual Lei Heong Iok foi empossado como presidente do instituto, o Governador concedeu a medalha de Mérito Profissional ao professor Luiz de Oliveira Dias, presidente cessante da instituição.
Ao falar na cerimónia, Lei Heong Iok lembrou que o "esforço envidado" pelo IPM desde a sua criação em 1991 "contribuiu para a resolução dos problemas de localização" dos quadros, da língua e das leis do território de Macau.
Reconheceu que o "desenvolvimento atingido hoje pelo IPM resultou da política adoptada pelo Governo de Macau, o qual sempre prestou a maior atenção ao ensino superior no território".
"Nos últimos anos, o investimento destinado à educação local representou dez por cento do orçamento global do território. Isto constitui não somente testemunho do atento acompanhamento dado às instituições de ensino superior, como também uma estratégia de
desenvolvimento alicerçada no próprio desenvolvimento do ensino superior deste território", afirmou.
Esta estratégia, acentuou, possibilita a "concretização da autonomia de Macau em harmonia com o espírito da Declaração Conjunta Luso-Chinesa e a manutenção das características especiais e próprias do território, reforçada pela localização dos trabalhadores da função pública de Macau".
Com cerca de 1.400 alunos inscritos para o ano lectivo 1999/2000 nos 40 cursos ministrados pelas seis escolas do IPM, o instituto atribuiu ainda hoje os 400 diplomas de bacharelato e licenciatura a estudantes que concluíram os programas de estudos.
A transferência do exercício da soberania de Macau de Portugal para a República Popular da China ocorre a 19 de Dezembro de 1999.
Lusa/Fim