Macau 99: Futuro governo chinês poderá incluir “consultores estrangeiros”
Arquivo Lusa 1999
Pequim, 02 Jul (Lusa) - O vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen disse hoje que o futuro governo de Macau deverá ser composto "sobretudo" por "patriotas", mas admitiu a contratação de "consultores estrangeiros".
O primeiro governo chinês de Macau, que tomará posse na madrugada de 20 de Dezembro, será "constituído sobretudo por patriotas, mas claro que tem de aceitar outras pessoas e pode, também, convidar alguns estrangeiros como consultores", disse Qian Qichen, citando uma declaração feita nos anos 80 por Deng Xiaoping acerca de Hong Kong.
"Estas palavras de Deng Xiaoping são uma significativa instrução para tratar da questão de Macau", acrescentou.
Qian Qichen falava na abertura da 9/a reunião plenária da Comissão Preparatória da Região Administrativa Especial de Macau, um organismo de 100 membros criado em Maio de 1998 pela Assembleia Nacional Popular chinesa.
O vice-primeiro-ministro chinês, que é sambem o presidente da Comissão, congratulou-se com a forma como está a decorrer o processo de transição de Macau, afirmando que a administração do território e o governo português têm dado a "devida cooperação".
Evocando a visita que o presidente chinês, Jiang Zemin, efecturá a Lisboa no fim de Outubro, Qian Qichen disse que a China continuará empenhada em "fortalecer ainda mais a sua cooperação com Portugal".
Qian Qichen reafirmou o apoio do governo central chinês ao primeiro chefe-executivo de Macau, Edmund Ho, e a sua "total confiança" no futuro do território.
"A suave transferência de poderes em Macau será um bom exemplo para resolver a questão da Reunificação da Pátria através da política de um país, dois sistemas", afirmou Qian Qichen.
O "exemplo" dirige-se a Taiwan - a ilha onde se refugiou o governo nacionalista de Chiang Kai-Shek após a tomada do poder pelo partido comunista chinês, há 50 anos.
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