Macau/99: Funções guarnição militar não devem ser misturadas com problemas segurança
Arquivo Lusa 1999
Macau, 11 Nov (Lusa) - As funções da guarnição militar que a China estacionará em Macau após a transferência da administração, a 20 de Dezembro, não deverão ser misturadas com os problemas de segurança do território, afirmou hoje Edmundo Ho.
Em declarações aos jornalistas, o chefe do executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) adiantou que o futuro executivo considerará solicitar ajuda à guarnição "apenas quando houver um problema muito grave" em Macau.
A China considera o estacionamento de tropas em Macau depois da transferência da administração (20 de Dezembro) uma afirmação simbólica da recuperação do exercício da soberania sobre o território e insiste que os efectivos militares não interferirão nos assuntos internos de Macau, excepto se lhe f"r solicitada ajuda pelo chefe do executivo da RAEM em caso de calamidades ou graves perturbações da ordem social.
O chefe do executivo garantiu hoje que o seu Governo irá "considerar cuidadosamente" o tipo de situação que possa justificar um pedido de auxílio à guarnição e disse que qualquer auxilio dos militares chineses será pontual.
Edmund Ho disse ainda acreditar que as questões relacionadas com o estacionamento de tropas em Macau - e que têm dividido Portugal e a China - "sejam solucionadas" até ao final do período de transição e manifestou-se convicto que a guarnição "será bem recebida" pela população.
A unidade que formará a guarnição de Macau do Exército Popular de Libertação (EPL) já se encontra aquartelada na base de Nanping - a 10 quilómetros de Macau e construída especialmente para a preparação do estacionamento de tropas chinesas em Macau.
A Comissão Militar Central da China nomeou em Outubro o major-general Liu Yue Jun, 48 anos, Chefe do Estado Maior do 41/o Corpo do EPL como comandante da guarnição militar de Macau e o major-general, He Xian Shu, 50 anos, actualmente director do departamento político das forças militares chinesas em Hong Kong, para o cargo de comissário político da guarnição de Macau.
Fontes chinesas indicaram anteriormente que as tropas do EPL deverão entrar em Macau através da nova ponte Flor de Lotus, entre a zona Económica Especial de Zhuhai e a ilha de Coloane, que tem inauguração prevista para Novembro.
O estacionamento de uma guarnição militar em Macau depois da transferência de poderes foi anunciado unilateralmente pela China em Setembro de 1998 como manifestação da recuperação pela República Popular do exercício da soberania sobre o território, contra a oposição de Portugal, que não mantém tropas em Macau desde 1975 e considerou a iniciativa chinesa como "injustificada" e "desnecessária".
Depois, mais de um ano de impasse sobre a questão, a entrada em Macau antes da transferência da administração de uma "equipa técnica" do exército chinês foi acordada em Lisboa durante a recente visita do presidente chinês, Jiang Zemin.
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