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Macau/99: Escola Portuguesa terá papel “fundamental” na RAEM

Arquivo Lusa 1999

Macau, 03 Dez (Lusa) - A Escola Portuguesa de Macau (EPM) terá um papel "fundamental" na Região Administrativa Especial, afirmou hoje o ministro português da Educação, Guilherme d Oliveira Martins,  na inauguração da nova ala da EPM, presidida pelo governador, Rocha Vieira.

"A EPM é uma das peças-chave para o futuro", disse Oliveira Martins ao sustentar que a "presença de Portugal se manterá para além do dia 20 de Dezembro de 1999, numa nova qualidade e com respeito  integral pela identidade própria de Macau".

Oliveira Martins disse também que a actual EPM "permitirá condições de qualidade e de exigência como estão definidos" e garantiu que o governo português "irá continuar a investir na educação em Macau", já que "é uma das prioridades" de Portugal.

O apoio e o investimento do governo português na educação em Macau é uma realidade "indesmentível, incontornável e irreversível".

O ministro da Educação recusou que a EPM "seja um projecto com os dias contados" pelo facto de Macau ter cada vez menos portugueses, dado que a instituição "tem potencialidades antes de mais no ensino da língua portuguesa mas também no domínio da cooperação no ensino e no conhecimento".

"Estou certo de que o futuro de Macau e a identidade própria de Macau exigirão uma presença e uma afirmação de um projecto como este (a EPM)", afirmou.

O ministro da Educação referiu também que a EPM "tem de ser vista como um ponto de encontro e um catalisador de iniciativas, aberta ao futuro e capaz de compreender as novas circunstâncias. Há pois, um longo caminho a percorrer - de qualidade, de rigor, de respeito e de serviço público".

Instado a comentar o facto de professores do ensino básico e educadores de infância que recentemente concluíram o bacharelato em Macau poderem candidatarem-se a leccionar no território - inclusivamente na EPM - e não o poderem fazer em Portugal sem concluírem mais três cadeiras de língua portuguesa, Oliveira Martins disse que o Ministério da Educação está a trabalhar sobre a questão das equivalências.

"A questão das equivalências de formações é uma questão que nos tem preocupado e na qual estamos a trabalhar para que haja uma perfeita igualdade de oportunidades", disse.

Oliveira Martins disse ainda que sobre as equivalências de formações teve oportunidade de conversar hoje com representantes das instituições de ensino superior de Macau no sentido de "haver uma  cooperação cada vez mais estreita que permita um reconhecimento pleno das formações".

Durante a cerimónia, o secretário-adjunto para a Administração, Educação, e Juventude, Jorge Rangel, sublinhou que a criação da EPM "constituiu preocupação do governo de Macau e assumiu lugar prioritário na definição dos objectivos estratégicos para o período de transição".

Jorge Rangel sustentou ainda que uma escola em português era "um projecto fundamental para assegurar a permanência de portugueses, podendo ser também um valiosíssimo instrumento de afirmação cultural, preparado para contribuir seguramente para o reforço da singularidade de Macau".

O secretário-adjunto considerou que a EPM "será, na prática, no dia-a-dia o verdadeiro centro cultural de Portugal em Macau".

A EPM terá também, no entender do governante, "um papel de indiscutível grandeza no ensino da nossa língua e na difusão dos valores culturais da grande comunidade lusíada neste oriente extremo".

"Já não importa agora saber se era exactamente este o projecto que todos desejavam. É este certamente o projecto que todos não podem deixar de apoiar", concluiu Jorge Rangel.

A Escola Portuguesa de Macau, a funcionar desde o ano lectivo 1998/1999, possui actualmente cerca de 900 alunos que frequentam programas entre o primeiro ciclo do ensino básico até ao 12/o ano.

Além da EPM, funciona no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes a educação pré-escolar em língua veicular portuguesa e que está a ser assegurada pela Associação Promotora da Instrução dos Macaenses - um dos accionistas da Fundação da Escola Portuguesa de Macau.

Lusa/Fim