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Macau/99: Emoção e festa no adeus a Macau – Síntese

Arquivo Lusa 1999

Lisboa, 19 Dez (Lusa) - O arriar da bandeira portuguesa hoje pelas 17:03 (09:03 em Lisboa) no Palácio da Praia Grande, em Macau, decorreu num ambiente de emoção.

Rocha Vieira, o último governador português do território, não conteve as lágrimas e de bandeira junto ao coração olhou pela última vez para o escudo português em pedra que está cravado na  fachada do edifício que lhe serviu de gabinete ao longo dos últimos nove anos.

Aplaudido à chegada e à saída, Rocha Vieira tentou conter a emoção, desde o momento em que a bandeira portuguesa começou a descer do mastro principal do Palácio da Praia Grande.

Quando lhe entregaram o estandarte nacional num bandeja de prata, encostou-o ao coração e chorou.

Rocha Vieira e a família tinham deixado momentos antes o palácio de Santa Sancha, residência oficial dos governadores, onde se despediram dos funcionários, alinhados à entrada do palacete e  comovidos com o adeus.

O dia da transferência da administração de Macau para a China amanheceu com frio e sem chuva.

Logo pela manhã (hora local), a polícia dispersou uma manifestação de membros da seita chinesa Falungong.

A manifestação começou pacificamente, com cerca de 30 membros da seita a fazerem exercícios de meditação ao som da música, mas terminou em violência com agentes policiais a removerem os  manifestantes pela força.

A Falungong, seita de inspiração budista que reúne a prática de exercícios físicos tradicionais chineses com a meditação, foi proibida na China em Junho passado, após ter sido qualificada como "grupo herético".

Nas ruas de Macau, vê-se uma multidão em ambiente festivo.

Antes de os símbolos nacionais de Portugal começarem a desaparecer dos edifícios públicos, à meia-noite, muitas pessoas aproveitaram a derradeira possibilidade de obter imagens da bandeira  das quinas e tiraram fotografias.

O presidente chinês, Jiang Zemin, chegou ao território cerca do meio-dia (hora local). Minutos depois chegou o primeiro-ministro chinês, Zhu Ronji.

A administração de Macau passará de Portugal para a China às 24:00 (16:00 em Lisboa).

O presidente da República, Jorge Sampaio, e o seu homólogo chinês presidirão à cerimónia de transferência da administração.

Segunda-feira, primeiro dia da soberania chinesa no território será feriado nacional na China.

Engalanada de vermelho, a praça Tiananmen, no centro de Pequim, prepara-se para celebrar o regresso do território à "mãe Pátria".

Para Pequim, Macau é "a ultima parcela do território chinês ocupada por estrangeiros" e a sua transferência para a administração chinesa representa "mais um grande passo para a completa reunificação da China".

Lusa/Fim