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Macau/99: “É cedo para balanços”, diz Jorge Sampaio

Arquivo Lusa 1999

Macau, 18 Dez (Lusa) - O Presidente da República enalteceu hoje o "sentido da responsabilidade"com que Portugal encarou a criação da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), mas  advertiu que não é ainda tempo de balanços.

"É cedo para balanços e seria pretensioso antecipar os juízos da História. O tempo revelará se caminhamos na direcção certa", acentuou Jorge Sampaio durante uma sessão de condecorações de 29 personalidades no Centro Cultural de Macau.

O chefe de Estado sublinhou, no entanto, que "Portugal e os portugueses têm boas razões para sentir orgulho em Macau", porque "contra as expectativas mais pessimistas foi possível realizar uma  estratégia de acelerado desenvolvimento económico e social".

Apontou os exemplos do aeroporto e do Centro Cultural de Macau e a adaptação das instituições, das leis e da administração, num quadro de articulação com a China, para assegurar o "cumprimento rigoroso"das relações bilaterais e tornar a transição numa "prova de maturidade das relações entre os dois Estados".

"Neste dia e nesta terra, é forte a tentação de dizer que nos orientámos por um caminho seguro", admitiu o Presidente da República, recordando a "projecção externa de Macau", o estabelecimento de instituições políticas e judiciais sólidas", a formação de uma "comunidade estável e tranquila" e o desenvolvimento de uma "economia dinâmica".

Jorge Sampaio deixou, nesse sentido, uma palavra de esperança, salientando que "Macau é uma cidade moderna, preparada para a mudança, feita para as suas gentes e pelas suas gentes - chineses, portugueses e macaenses - unidos pelo seu dever comum".

Realçou, a propósito, os "assinaláveis méritos" do Governador de Macau, Vasco Rocha Vieira, que qualificou como "um exemplo do espírito de bem servir".

O Presidente da República recordou também o estatuto especial de autonomia de Macau assegurado pela Declaração Conjunta Luso-chinesa assinada em 1987 que permitirá manter as instituições e o modelo económico actual durante os próximos 50 anos.

"Os direitos cívicos e políticos das suas gentes estão assegurados, num quadro regido pelo primado do direito, que inclui, designadamente, as principais cartas de direitos internacionais", lembrou.

Jorge Sampaio afirmou ainda que as relações seculares entre Portugal e a China saíram "mais fortes" com o "empenho comum, demonstrado pelos responsáveis ao mais alto nível, em fazer da  transição de Macau um exemplo de respeito recíproco".

Antes, o Governador de Macau classificou também a transferência de poderes como "um exemplo do que se pode realizar, no plano da cooperação entre Estados e entre povos, quando há uma  efectiva vontade de respeito mútuo e de entendimento".

Rocha Vieira frisou que "Portugal fez o que tinha de ser feito e todos os portugueses que, directa ou indirectamente, participaram neste projecto ambicioso, encontram agora motivos concretos para expressarem o seu orgulho".

"Não queremos, para o que fizemos, outro prémio que não seja a satisfação pelo dever cumprido. Mas queremos que este nosso tempo presente seja entendido e reconhecido como a ponte que estabelece a harmonia entre o presente e o futuro, não apenas para Macau, mas também para as relações entre Portugal e a China", declarou.

Recordou que "Macau é a construção de chineses, de macaenses e de portugueses" e voltou a manifestar a convicção do "dever cumprido".

"Alimentamos a esperança de que as futuras gerações de chineses, macaenses e portugueses que residam em Macau sintam orgulho ao olhar para o seu passado, vendo-o como uma história de amizade e cooperação entre o povo chinês e o povo português, entre a China e Portugal, entre o Oriente e o Ocidente. Este é o prémio que desejamos. Porque assim se cumprirá o desígnio de Portugal desde que, pela primeira vez, chegou às terras da China", concluiu.

O Presidente da República condecorou 29 personalidades, entre as quais o Bispo de Macau, D Domingos Lam, (Grande Oficial da Ordem Militar de Cristo), e monsenhor Manuel Teixeira, sacerdote católico residente no território desde 1924, (Grã- Cruz da Ordem Militar de Santiago e Espada).

O director do Gabinete Coordenador das Cerimónias de Transferência, José Costa Antunes, o presidente do Leal Senado, Luís Sales Marques, a futura presidente da Assembleia Legislativa da RAEM, Susana Chou, estão também entre os 29 condecorados.

Lusa/Fim