Macau/99: Dia da Cidade comemora-se quinta-feira pela última vez
Arquivo Lusa 1999
Macau, 23 Jun (Lusa) - O Dia da Cidade de Macau, que se assinala quinta-feira no território pela última vez, vai ser comemorado com diversas actividades recreativas, culturais e desportivas que culminarão, domingo, com a Festa das Comunidades no Largo do Leal Senado.
As autoridades chinesas anunciaram já oficialmente que a data deixará de ser feriado em Macau a partir do momento da criação da Região Administrativa Especial de Macau a 20 de Dezembro de 1999.
As celebrações, que tiveram início a 13 de Junho com a realização de diversas provas náuticas, prosseguem hoje com a celebração de uma missa na Sé Catedral que contará com a participação do "Choral Poliphonico de Coimbra".
Em honra de S. João Baptista, que, diz a lenda, ajudou a população a defender a cidade de uma invasão holandesa em 1622, as comemorações do Dia da Cidade têm início com a proclamação de Cidadãos Eméritos pelo Leal Senado (Câmara Municipal) numa sessão que decorrerá, quinta-feira, no Salão Nobre da edilidade.
Este ano, o Leal Senado decidiu atribuir a medalha de Cidadãos Eméritos a Roque Choi, Joaquim Morais Alves, Lau Kuong Po, Luis Demmé, Henrique Senna Fernandes e Lam Kan.
À tarde, será inaugurada a exposição "Aguarelas de Portugal" na Escola Portuguesa de Macau seguida da actuação, na Igreja de São Domingos, do "Choral Poliphonico de Coimbra".
No sábado, 26, decorrerá entre as 18:00 e as 23:00 a Festa das Comunidades de Macau com a actuação de grupos representativos da população residente.
A encerrar as comemorações, no domingo 27 de Junho, a cidade será animada com jogos populares e desporto recreativo entre as 14:00 e as 17:30 no Parque de Sun Iat Sen, norte da cidade, e com um concerto do grupo português Silence 4 no Fórum de Macau.
Até domingo estará ainda patente no Largo do Senado de Macau uma exposição fotográfica relativa às acções desportivas e recreativas realizadas pelo Leal Senado no último ano em Macau.
As comemorações do Dia da Cidade incluem também a exposição "Oriente, Ocidente - artistas de Macau" inaugurada a 18 de Junho no Mercado Ferreira Borges no Porto, cidade geminada com Macau, e onde estão patentes até 12 de Julho mais de 200 obras de pintura, desenho, gravura, fotografia, "design" gráfico e ilustração de 34 artistas naturais ou radicados em Macau.
A exposição foi inaugurada pelo presidente da edilidade do Porto, Fernando Gomes, e pelo vereador Wan Chun do Leal Senado em representação do presidente.
A população do território celebra o Dia da Cidade de Macau a 24 de Junho, 377 anos depois de ter derrotado os holandeses que no dia de S. João Baptista tentaram, com uma guarnição de 800 homens apoiados por três naus e outras dez embarcações, tomar a cidade.
Defendida por pouco mais de 150 homens entre portugueses e macaenses, a cidade manteve-se em poder dos lusitanos depois de uma batalha que provocou centenas de mortos e alguns feridos.
A população de Macau, naquela época uma cidade sem muralhas e por isso muito permeável a invasões, considerou que a vitória sobre os holandeses fora obra da providência de S. João Baptista e escolheu o santo para padroeiro da cidade, numa tradição que se mantém viva até hoje.
Um monumento erguido em 1864 no "Jardim da Vitória", construído no local onde foi travada a última batalha entre portugueses e holandeses, recorda os protagonistas da vitória dos residentes de Macau.
Junto ao monumento está gravada a inscrição que assinala a "vitória que os portugueses de Macao, por intercessão do bem aventurado S. João Baptista, alcançaram sobre 800 holandeses armados que de treze naos de guerra capitaneadas pelo almirante Roggers desembarcaram na praia de Cacilhas para tomarem esta cidade do Santo Nome de Deus de Macao".
A história de Macau destaca ainda a intervenção na batalha do jesuíta matemático Jacob Rho que, com um tiro certeiro disparado da Fortaleza do Monte, fez explodir um barril de pólvora junto à força principal dos holandeses, provocando muitos mortos e a desorientação geral dos invasores.
À semelhança do que acontece desde 1622, a missa que será rezada na Sé Catedral de Macau é em honra de S. João Baptista, homenagem que no passado tinha como ponto alto uma grande procissão solenemente acompanhada pelas principais autoridades locais.
Nessa época, quando a imagem de S. João Baptista passava pelo Largo do Senado, no centro da cidade, era disparada, com os canhões da Fortaleza do Monte, uma salva de 21 tiros.
Macau é um território chinês sob Administração portuguesa cujo exercício da soberania irá reverter para a República Popular a 20 de Dezembro de 1999.
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