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Macau 99: Declarações de Qian Qichen são “muito oportunas” – Rocha Vieira

Arquivo Lusa 1999

Macau, 02 Jul (Lusa) - O Governador de Macau, Rocha Vieira, considerou hoje "muito oportunas" as afirmações do vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen sobre a continuidade de técnicos portugueses na futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

O vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen disse hoje, na abertura dos trabalho da Comissão preparatória da RAEM, que o futuro governo de Macau (que tomará posse a 20 de Dezembro de 1999 - data da constituição da RAEM) deverá ser composto "sobretudo" por "patriotas", mas admitiu a contratação de "consultores estrangeiros".

O primeiro governo chinês de Macau será "constituído sobretudo por patriotas, mas claro que tem de aceitar outras pessoas e pode, também, convidar alguns estrangeiros como consultores", disse Qian  Qichen, citando uma declaração feita nos anos 80 por Deng Xiaoping acerca de Hong Kong.

Para Rocha Vieira as declarações de Qian Qichen "não trazendo de novo nada sobre aquilo que já estava previsto na Declaração Conjunta e que tem a ver com as necessidades do território (...) são muito oportunas e muito importantes na medida em que confirmam e reiteram a posição da China de uma forma muito correcta e dão maior confiança e consistência a todo o processo".

Ao salientar que o Governo de Macau tem "dentro da legalidade" lançado "políticas e mecanismos" que permitam aos portugueses necessários continuarem no território, Rocha Vieira referiu que o assunto tem sido debatido, para lá do Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês, com Edmund Ho Hau Wah, chefe do executivo indigitado. Além disso, continuou, desde há muito tempo que o Governo de Macau "tem chamado à atenção para a necessidade de definir o estatuto e as condições para que portugueses e outros (...) que são necessários (a Administração) possam continuar" a trabalhar em Macau, disse.

No entanto, segundo Rocha Vieira, o processo tem encontrado algumas "dificuldades" no Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês muito embora o Governo de Macau "nunca" tenha posto em "causa que a China iria aceitar que consultores portugueses aqui ficariam depois de 1999".

Rocha Vieira falava à saída de Macau para uma deslocação a Lisboa a convite do Presidente da República.

Em Lisboa, o governador irá participar em reuniões de trabalho entre Jorge Sampaio e Jaime Gama, ministro dos Negócios Estrangeiros, nas vésperas de mais uma reunião plenária do Grupo de Ligação  Conjunto Luso-Chinês que se realizará na capital portuguesa.

Antes de chegar a Lisboa, Rocha Vieira estará este fim-de-semana na Estónia a convite do primeiro-ministro daquela república báltica.

Rocha Vieira manifestou ainda o desejo de realizar, até ao final da Administração portuguesa, "uma última visita à República Popular da China para apresentar cumprimentos" às autoridades daquele país.

Além da visita à China, o gabinete do Governador "está a pensar" em mais duas visitas - uma ao Japão e outra à Austrália - a convite dos governos daqueles países e que para Rocha Vieira "são muito importantes na região e com quem Macau quer incrementar relações".

No Japão, Rocha Vieira pretende desbloquear um acordo de serviços aéreos com Macau para que depois se possa avançar para outras "questões concretas que possam interessar a Macau num sentido de continuidade".

"Relativamente à Austrália, há um acordo de serviços aéreos para assinar" mas "trata-se no entanto de estabelecer relações mais profundas com um país muito importante na zona" com quem Macau tem  "vindo a aprofundar relações.

Além das razões de ordem económica e comercial, Rocha Vieira lembrou que na Austrália residem "comunidades que têm a ver muito com Macau" e salientou que o convite para as deslocações transmite também uma perspectiva de "continuidade" do relacionamento no futuro.

Rocha Vieira regressa ao território no próximo dia 12.

Lusa/Fim