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Macau/99: Carlos Monjardino critica ausências de Durão Barroso e Paulo Portas

Arquivo Lusa 1999

Macau, 17 Dez (Lusa) - O presidente da Fundação Oriente (FO), Carlos Monjardino, criticou hoje em Macau a ausência dos líderes do PSD e do CDS/PP na cerimónia de transferência da administração do território para a China.

"Tenho estima pelo doutor Paulo Portas e tenho pena que ele não esteja cá. Em relação ao outro, ao doutor Durão Barroso, não sei, acho que o doutor Durão Barroso deve-se ter esquecido com certeza que foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que foi parte em todo este processo durante uma quantidade de anos", afirmou o presidente da FO.

Uma fonte social-democrata disse hoje à Lusa, em Lisboa, que Durão Barroso não estará presente na cerimónia de transferência da administração de Macau para a China, por "motivos de ordem familiar".

O PSD estará representado na cerimónia pela vice-presidente do respectivo grupo parlamentar na Assembleia da República, Manuela Ferreira Leite e por Luís Marques Mendes.

No debate sobre Macau na AR, a 14 de Dezembro, Durão Barroso dirigiu duras críticas à política externa do Governo socialista, mas elogiou o processo de transição no território.

Paulo Portas, que durante o debate na AR considerou que a substituição da bandeira portuguesa pela chinesa em Macau não é motivo de qualquer satisfação, alegou motivos de agenda para não se deslocar ao território.

Além do primeiro-ministro António Guterres, também secretário-geral do PS, estarão na cerimónia o líder do PCP, Carlos Carvalhas, bem como Miguel Portas, pelo Bloco de Esquerda, e Isabel Castro, pelo partido "Os Verdes".

O líder parlamentar socialista, Francisco Assis, que deveria comparecer na cerimónia, acabou por também não ir a Macau "por motivo de doença" e foi substituído pelo seu antecessor, Jorge Lacão.

Falando aos jornalistas na sede da delegação da FO em Macau, Carlos Monjardino considerou que a fundação a que preside foi um "assunto" das negociações luso-chinesas sobre Macau devido a "intrigas políticas" dos adversários do PS, partido de que é apoiante.

Os problemas com a FO corresponderam a "um azedar de relações entre as forcas políticas em Portugal e nós, obviamente, apanhamos por tabela, mas isso está ultrapassado desde 1997, com efeitos retroactivos a 1996", disse.

Monjardino atribuiu os problemas aos "máximos responsáveis do outro partido que não é o PS", numa alusão ao PSD, e ao ser-lhe recordado que Durão Barroso era na altura ministro dos Negócios Estrangeiros, comentou: "Lembro-me bem desse nome, por acaso".

"O doutor Durão Barroso, que pelo menos aceitou que algumas críticas partissem em relação à fundação, com certeza que poderia ter cobertura, presumo que tivesse tido", afirmou também o presidente da FO.

Na sequência das negociações no Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês, a FO deixou de receber uma percentagem dos resultados da exploração dos casinos de Macau, cujo pagamento estava previsto no contrato de jogos até 2001.

Monjardino disse que a FO "perdeu entre dez e 15 milhões de contos" com a anulação daquela receita anteriormente prevista no contrato de jogos.

Os activos da FO atingirão no final deste ano "entre 60 e 70 milhões de contos", acrescentou.

A Fundação Oriente foi criada em Março de 1988 e tem sede em Lisboa.

Lusa/Fim