Macau/99: Ligação a Portugal é parte da identidade do território
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 16 Mar (Lusa) - A "profunda ligação" que existe entre Portugal e Macau "é parte integrante da identidade própria do território", disse hoje à Lusa o Presidente da República, Jorge Sampaio.
Para Jorge Sampaio, com a transferência da administração de Macau para a China em 20 de Dezembro, a marca de Portugal na identidade de Macau ficará nas "instituições políticas, cívicas e judiciais" no "direito próprio", na sociedade e nos costumes do território.
"Partilhamos com Macau a sua confiança no futuro, certos de que o quadro de autonomia previsto pela Declaração Conjunta assegurará a continuidade das suas instituições, do seu direito próprio, do seu modelo económico e do seu modo de vida", afirmou o Presidente da República.
A Declaração Conjunta, que Jorge Sampaio considerou "o primeiro acordo que definiu com rigor e precisão o estatuto de Macau", foi o acordo Luso-Chinês que marcou a data da transferência da administração.
O Presidente da República considerou Macau como uma evocação da história de Portugal "feita de rasgos de visão impressionantes, de um espírito de descoberta típico da cultura humanista e de uma vontade de estar e de conhecer que revelam profunda vocação universalista".
"Todos esses traços convergiram em Macau na criação de uma cidade única no mundo, que celebra o encontro entre duas grandes civilizações históricas - a civilização ocidental e a civilização chinesa", disse Jorge Sampaio.
"Temos orgulho da nossa história e temos orgulho em Macau", disse o PR, adiantando que "Macau é uma cidade aberta, com uma administração moderna, uma economia desenvolvida e uma sociedade tolerante. É uma cidade onde é bom viver e onde se demonstram as virtudes das duas culturas (...) que fazem a singularidade de Macau".
Macau "é um pequeno território e uma pequena comunidade. Mas tem um passado próprio, uma identidade específica e (...) pode ter um futuro à altura das suas ambições", disse.
Jorge Sampaio chega a Macau quinta-feira para uma visita oficial de cinco dias durante a qual presidirá à inauguração do Centro Cultural de Macau, considerado uma das obras emblemáticas da administração portuguesa do território.
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