Macau/99: Edmund Ho não enjeita responsabilidades caso seja chefe do executivo
Arquivo Lusa 1999
Macau, 15 Mar (Lusa) - O presidente da Associação de Bancos de Macau, Edmund Ho, admitiu hoje pela primeira vez que não enjeitará responsabilidades caso venha a ser indicado para chefe do executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
"Penso que devemos ter um elevado sentido de responsabilidade neste momento histórico para Macau. E não enjeitarei as responsabilidades que eventualmente me vierem a ser cometidas", noticia o jornal Va Kio, citando Edmund Ho ao falar com jornalistas em Pequim, onde se encontra para participar no 9.º Congresso Nacional Popular.
Para o banqueiro não chegou ainda o momento de tornar conhecido se pretende ou não candidatar-se ao lugar do chefe do executivo da futura RAEM.
"Antes do estabelecimento do Comité de Selecção não me pronunciarei sobre qual a posição que irei tomar. Penso ainda que qualquer candidato ao cargo de chefe do executivo deve tomar uma posição semelhante e divulgar as respectivas intenções quando o momento certo chegar", frisou.
Instado pelos jornalistas a ser mais preciso, Edmund Ho afirmou que qualquer afirmação neste momento - de aceitação ou rejeição - daria azo a incompreensões e especulações que, disse, "não pretende de forma alguma desencadear".
A Comissão Preparatória da RAEM realizará a sua 7.ª sessão plenária dias 09 e 10 de Abril próximo em Pequim a fim de constituir a Comissão de Selecção, após o que será iniciado o processo de que resultará a escolha do primeiro chefe do executivo pós-administração portuguesa.
Respondendo a outras questões colocadas pelos jornalistas, Edmund Ho adiantou que Macau enfrenta actualmente uma série de dificuldades, nomeadamente a crise económica e problemas de segurança e outros em sectores que foram negligenciados ao longo dos anos.
"Após a fundação da RAEM, temos de enfrentar e resolver todos esses problemas e, para isso, precisamos de estar preparados", realçou.
O primeiro-ministro Zhu Rongji mencionou no seu discurso ao Congresso que o governo chinês tem de aumentar a eficiência, combater a corrupção e melhorar a qualidade dos serviços públicos. Penso que estes pontos podem perfeitamente constituir a agenda de trabalho do executivo da futura RAEM , afirmou Edmund Ho.
Nascido em Macau em 1955, Edmund Ho (Hau Wah) é actualmente vice-presidente da Assembleia Legislativa, um dos órgãos de governo próprio do território, vice-presidente da Comissão Preparatória da RAEM, presidente da Associação de Bancos e membro do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular da RPC, entre outros cargos.
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