Macau/99: Edmund Ho Hau Wah a caminho de chefe do executivo
Arquivo Lusa 1999
+++ Por João Miguel Roque, da Agência Lusa +++
Macau, 23 Abr (Lusa) - O banqueiro Edmund Ho Hau Wah não o admite abertamente, mas tornou-se hoje, na prática, o primeiro chefe do executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau.
Edmundo Ho Hau Wah, 44 anos, obteve 125 votos da Comissão de Selecção (CS) para a qualificação de candidatos ao lugar de primeiro "governador" de Macau depois da transferência da administração do território para a China em 20 de Dezembro.
A votação final da CS - um órgão de 200 membros criado em 10 de Abril em Pequim - para a escolha formal do chefe do executivo terá lugar em 15 de Maio, mas as próximas três semanas de "campanha" dos candidatos hoje qualificados não passará de um exercício de processo, vazio de significado real.
Serão os mesmos membros da CS que hoje deram os 125 votos (62,81 por cento do total) a Edmund Ho Hau Wah que irão escolher em 15 de Maio o nome a ser apresentado ao governo central chinês para nomeação formal do chefe do executivo da RAEM.
Apenas mais um candidato foi hoje qualificado, o também banqueiro Stanley Au Chong Kit, 58 anos, que obteve 65 dos votos secretos dos membros da CS, mas afirma estar ainda "confiante na vitória".
Pelo caminho ficaram candidatos "menores" como os empresários Leong Sei Chiu, 58 anos, e Lau Kau, 66 anos, ambos com dois votos expressos pelos membros da CS e o motorista de táxi Leong Pai Hong, 42 anos, sem qualquer voto. O número mínimo de votos para a qualificação era de 20.
Edmund Ho Hau Wah é, desde a primeira hora de especulação sobre o futuro de Macau pós-1999, entendido como o favorito de Pequim para ocupar o principal lugar do governo do território terminados os mais de 400 anos de administração portuguesa.
O futuro político do banqueiro de Macau passou a ser dado como certo quando em Maio de 1998 o jornal oficial China Daily publicou na primeira página "um significativo aperto de mão entre o Presidente da República Popular da China, Jiang Zemin e Edmund Ho", durante a cerimónia no Grande Palácio do Povo em Pequim em que foi oficialmente criada a Comissão Preparatória da futura RAEM.
Observadores locais consideram que se até agora ainda seria legítimo algum debate sobre as virtudes das plataformas políticas dos dois candidatos, a partir de hoje a questão maior em Macau será a de saber quem irá integrar o executivo de Edmund Ho Hau Wah.
Um documento do candidato, apresentado esta semana sob a forma de "plataforma de candidatura" tem como preocupações prioritárias a reanimação da economia local, actualmente estagnada, e questões de segurança pública, advogando uma revisão do Código Penal de Macau para introduzir maior severidade de penas para crimes graves como homicídios e raptos.
Entretanto, Stanley Au Chong Kit, disse hoje em conferência de imprensa que ainda está "confiante em ser eleito chefe do executivo de Macau".
"Estou confiante na vitória, só há cerca de 10 dias comecei a fazer campanha e tenho ainda muito trabalho pela frente para fazer", disse Stanley Au Chong Kit, adiantando que pretende obter "101 votos" no processo final de escolha do chefe do executivo pós-1999.
Entretanto, outros quatro cidadãos locais que se propuseram como candidatos - Chong Hok Nin, 73 anos, reformado; Lei Kwong Iun, 50 anos, funcionário público; Ng Chok Man, 41 anos, doméstica; e So Lin San, 53 anos, directora de uma empresa de construção civil, não chegaram sequer a qualificar-se para a votação de hoje.
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