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Londres “extremamente preocupado” com desaparecimento na China de funcionário de consulado

Pequim, 20 ago 2019 (Lusa) - O ministério britânico dos Negócios Estrangeiros disse hoje que está "extremamente preocupado" com o desaparecimento de um funcionário do seu consulado em Hong Kong durante uma viagem à China continental.


Em comunicado, o ministério revelou que já pediu informações às autoridades de Hong Kong e da província de Guangdong, no sul da China, sobre o paradeiro do funcionário, que foi detido quando regressava a Hong Kong, a partir da cidade fronteiriça de Shenzhen.


A imprensa britânica identificou o funcionário como Simon Cheng Man-kit.


Segundo a sua conta oficial no LinkedIn, Cheng trabalhava como diretor de investimentos e comércio na Scottish Development International, uma agência de investimento da Escócia, no Consulado Geral Britânico de Hong Kong.


O funcionário deslocou-se a Shenzhen para participar num evento de negócios, em Shenzhen, em 8 de agosto, mas nunca mais regressou a Hong Kong, apesar do seu regresso estar previsto para o mesmo dia.


As autoridades chinesas não comentaram ainda estas informações.


Segundo o jornal Financial Times, Cheng escreveu uma mensagem à namorada a pedir que rezasse por ele antes de ficar incontactável.


Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.


No início do ano, a China deteve um empresário e um antigo diplomata canadianos, após a diretora financeira do grupo chinês das telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, ter sido detida em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que a Huawei tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis.


Ambos os cidadãos canadianos foram detidos por "prejudicarem a segurança nacional".


O Reino Unido e a China têm trocado algumas críticas, à margem dos quase três meses de protestos na antiga colónia britânica.


A China criticou já o secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Dominic Raab, no início do mês, após este ter falado com a líder de Hong Kong, Carrie Lam, sobre os protestos, e pedido uma "investigação totalmente independente" à atuação da polícia, para reconstruir a confiança.


"É simplesmente errado que o governo britânico fale diretamente com a presidente do Executivo de Hong Kong para exercer pressão", afirmou então um porta-voz da diplomacia chinesa.



JPI // ANP


Lusa/Fim