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Líder da Assembleia Legislativa de Macau condena atos de violência em Hong Kong

Macau, China, 05 jul 2019 (Lusa) -- O presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau condenou hoje os atos de violência no último protesto em Hong Kong contra a lei da extradição, que culminou na invasão do parlamento daquele território administrado pela China.


"Acho muito triste e lamentável", afirmou numa conferência de imprensa que serviu para realizar um balanço do seu mandato, quando se prepara para renunciar às funções para se candidatar a chefe do Governo, cujas eleições estão agendadas para 25 de agosto.


Antes, disse aos jornalistas que preferia não se pronunciar sobre uma matéria que é da competência das autoridades de Hong Kong.


A 18 de junho, numa outra conferência de imprensa, enquanto candidato ao lugar de chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng defendera que as "forças exteriores" deviam deixar Hong Kong resolver internamente o problema da lei da extradição, que tem motivado protestos maciços.


"Espero que as forças exteriores não interfiram nos assuntos internos de Hong Kong", disse então, quando questionado pelos jornalistas sobre a polémica que se vive na região administrativa especial vizinha com a proposta de lei que permitiria extraditar suspeitos de crimes para territórios sem acordo prévio, como é o caso da China continental.


Em pouco menos de um mês, Hong Kong viveu quatro grandes protestos contra as emendas à lei da extradição, com números recorde de participação, dois deles marcados por violentos confrontos entre a polícia e manifestantes.


Os protestos obrigaram a chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, a suspender a discussão da proposta de lei e a pedir desculpas à população. Contudo, Carrie Lam recusou-se sempre a retirar definitivamente a proposta de lei.


A 01 de julho, centenas de manifestantes invadiram e vandalizaram o parlamento de Hong Kong.


Proposta em fevereiro e com uma votação final inicialmente prevista para 20 de junho, as alterações permitiriam que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.


Os defensores da lei argumentam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China, tal poderá transformar Hong Kong num "refúgio para criminosos internacionais".


Os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.


A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.


Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.



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